sábado, novembro 22, 2008

Gravações caseiras (Shark Attack)

Depois de muito tempo, tive um momento para retomar as gravações (a última série remontava a agosto). Não estava conseguindo obter resultados satisfatórios com o feijãozinho via usb, mas no método da tentativa e erro descobri que poderia utilizá-lo como gravador e como reprodutor (e assim ouviria por ele o playback e o metrônomo). A motivação, no entanto, agora ficou maior, pois consegui novos equipamentos para registrar guitarra e baixo (BFG, SX SJB75, UX1). Tenho ouvido bastante o "Death Magnetic" do Metallica, além de - em maior ou menor medida - "Gambling With the Devil" e "The Dark Ride" do Helloween, "Twilight in Olympus" do Symphony X, "Live Radio City Music Hall" do Heaven and Hell/Black Sabbath, "The Inner Mounting Flame" do Mahavishnu Orchestra, "Black Ice" do AC/DC, "Subliminal Verses vol.3" do Slipknot, "News of the World" do Queen. Escolhi refazer a gravação de "Shark Attack", e utilizei a distorção "over bite". Gravei basicamente os mesmos riffs da versão original, em todos os casos toquei quatro vezes os riffs, duas vezes cada (em um ou outro caso gravei uma terceira guitarra uma oitava acima). Desta feita, no entanto, resolvi tentar colocar os riffs em ordem de execução para facilitar a tarefa de reunir esses riffs, pois o método de composição que tinha inicialmente imaginado não deu certo, e vou tentar fazer por conta. E aí me ocorreu a dificuldade de compor músicas muito boas, com todas as partes e riffs fortes. Mais ou menos com o próprio Hetfield admitiu ao comparar "Load"/"Reload" e "Death Magnetic" e fazer o seguinte raciocínio: "é melhor compor poucas músicas fortes do que um monte de músicas com resultados variados". Sei que alguns riffs que tenho na manga há muitos anos muito bons, mas a dificuldade é criar outras partes (para versos, refrões, etc) que sejam tão dinâmicos e fortes quanto esses riffs originais. No caso dessa segunda versão para "Shark Attack", tirei alguns excessos e agreguei dois riffs para a parte que vem depois do riff SOAD, sendo o primeiro no mesmo esquema Em, mas executado de um jeito que exigiu bastante da palhetada na mão direita (é certo que uma das virtudes de Hetfield é o domínio dos downstrokes e da palhetada staccato); a segunda parte é uma modulação desse riff para Fm, mas um pouco mais cadenciado e execução facilitada. A partir daí me ocorreu de tocar uns acordes (power-chords) B-D-A-G com umas firulas no último compasso; quando toquei para ouvir se as guitarras estavam sincronizadas, ocorreram-me algumas notas e resolvi registrar um pequeno solo sobre essa parte. Todos esses riffs, tocados quatro vezes, consumiu mais de 5min, de maneira que a música será longa se mantidas todas essas partes, e a intenção é exatamente essa. Parti, então, para a gravação do baixo, e o fiz basicamente no primeiro take, preservando as linhas da guitarra. Permiti incorporar uns mini solos de baixo na parte em que ficam os acordes F-E suspensos, criando a tensão que se resolve no riff SOAD, apenas como sugestão para um baixista de verdade debulhar nessa parte. Gravei tudo com afinação normal e fiquei bastante satisfeito com o timbre na hora que estava tocando (ainda preciso avaliar se o registro está bom). Agora penso em como posso fazer para registrar as idéias para a linha de bateria. Ao final, ouvi as gravações de "Oblivious", "Fistful", "Heal my Soul", "Aunt Evil" e "Ace´s High" e fiquei positivamente surpreendido com o bom resultado na maioria dos casos.

segunda-feira, outubro 20, 2008

"Ignitin´" - o CD da Burnin´ Boat (2001)

Ignitin´

A história do nosso cd começou a partir do momento em que consolidamos a formação da banda e reunimos um punhado de composições próprias. Após o ingresso do Nilton e do Cláudio evoluímos rapidamente e fizemos bons shows. Em meados de 2000, Bruce acenou, então, com a possibilidade de patrocínio do cd, e o esquema foi mais ou menos o seguinte: a mãe do Bruce, a Janice, havia custeado uma grande viagem do irmão dele pelo exterior, e assim ela queria fazer algo do tipo para o filho mais velho; como o Bruce não se interessava por viagens desse tipo, surgiu a idéia de que a Janice poderia arcar com a gravação do cd. Assim, a nossa responsabilidade seria, exclusivamente, o comparecimento ao estúdio para gravar as nossas músicas. O repertório consistia em “Hidden”, “Over the Moon”, “Boats are Burning”, “Cold Wind”, “Noise Garden”, “Sweet Thing” e “Attitude Adjustment”, além das covers de Fastway (“Say What You Will”, imortalizada na abertura do seriado Armação Ilimitada) e do conhecido tema de abertura do seriado japonês Spectreman.

A escolha do estúdio e do produtor foi feita pelo próprio Bruce, que acatou sugestão do Pedro, que já utilizava largamente o Estúdio Brother´s e o Wayner há um bom tempo, seja com a Parasite, seja com a Winston. A idéia era a de que cada instrumento seria gravado separadamente, e que com tudo gravado no micro poderíamos regravar as linhas no futuro sempre que quiséssemos (mais tarde soubemos que as coisas não eram assim tão simples, e que tomaria um tempo tão grande na mixagem das faixas que seria mais fácil gravar tudo de novo).

No inverno de 2000, lá por junho, começamos as gravações. Acho que foi num sábado que gravamos as linhas de bateria – eu tocando junto à mesa de som, e o Bruce isolado no estúdio. A primeira música foi Boats are Burning, e a estratégia do Bruce que era a de gravar logo a música mais rápida, para aproveitar que estava descansado, se revelou despicienda, pois na verdade era mais importante aquecer com uma mais tranqüila. Gravamos, então, Over the Moon, e sucessivamente todas as outras. Acredito que o próximo a gravar foi o Nilton, que numa manhã gelada gravou todas as suas linhas, basicamente na primeira tentativa (talvez só o início de Noise Garden, que ainda não estava bem assimilado, tenha causado alguma complicação). Acho que a guitarra base, sempre gravada duas vezes, foi completada em uma ou duas tardes. Quando fomos gravar os meus solos, rolou um mal-entendido incrível, que quase arruinou a gravação do cd. Foi uma falha de comunicação entre eu e o Wayner, e após várias horas de gravação, quando percebi que todos os solos que eu tinha feito até ali – tudo em um take só - , com todos os erros, estavam valendo como se fossem as versões definitivas, me decepcionei com o grande número de pessoas da banda e de fora da banda que estava na mesa de som e não percebeu que algo estava errado. Sucedeu um período bizarro de insatisfação crescente, no qual as coisas não eram ditas abertamente, até que meses depois nos encontramos na Famecos, eu, Bruce e Luciano, e falamos sobre todas essas babaquices. Felizmente superamos tudo isso, e reiniciamos as gravações em fevereiro de 2001, já com duas novas (e boas, a nosso juízo) músicas: Heartbreakin´ e Black Dressing Soul. Essas músicas foram compostas em ensaios, e resolvemos acrescentá-las ao repertório do cd.

Essa segunda etapa de gravações foi mais rápida; em umas duas ou três sessões gravei as guitarras dessas novas, e refiz as de “Over the Moon” e “Say What You Will”, bem como o solo da primeira. O Cláudio e o Nilton também não tiveram problemas, e o Luciano finalizou as gravações de todos os vocais. Com tudo registrado, o Bruce e o Wayner dedicaram algumas manhãs para mixar as músicas e finalizar o projeto. O Bruce e o Minduim cuidaram da parte gráfica do encarte e de toda logística, e assim no início do inverno de 2001 tínhamos o cd pronto. A idéia do título “Ignitin´” foi do Bruce, assim como a de não agradecer ninguém que não a mãe dele (sem a qual o cd não teria sido possível na época) e a Raquel (que compôs a letra de algumas músicas para a banda, notadamente “Hidden” e “Cold Wind”) nos créditos. As fotos do encarte foram tiradas pelo Bruce, e o modelo foi o Luciano, no cais do porto.

As músicas

BOATS ARE BURNIN’ – O riff dessa música surgiu numa tarde de sábado de 2000, na qual estava ouvindo o cd “Time of the Oath” com a guitarra plugada no amplificador. A 2.ª faixa desse disco é Steel Tormentor, e tem uma introdução rápida de bateria. Tão logo ouvi essa parte de bateria, no instante em que o Helloween iniciaria a música, eu toquei a primeira coisa que me veio à cabeça, e o fiz como se estivesse acompanhando os guitarristas do Helloween. Saiu então uma versão primitiva do que seria o riff de BAB. Pratiquei um pouco e dei contornos finais ao riff com um tipo de estrutura que prezo bastante: um riff de quatro compassos, sendo 1 = 3 e 2 =/ 4 no último tempo. Imediatamente fui ao computador reproduzir as notas no GuitarPro e mandei o arquivo para o Bruce. O resto da música foi composto em jams como Bruce. Não estava muito certo quanto ao que seria tocado nos versos; o Bruce sugeriu, então, que se mantivesse o ritmo na corda A (5.ª corda solta), e que ao final de cada tempo eu tocasse um acorde – elegi, então, o D na primeira vez, e o G na segunda. A parte lenta foi criada num daqueles momentos em que estamos realmente sintonizados na música, e a sucessão de acordes me remete a Black Sabbath (e.g., “Sympton of the Universe”). Foi numa jam memorável com Diego, da Hibria, e Jorge Gordo, que incrementamos essa parte do meio com uma 2.ª guitarra diferente da 1.ª – esta tocaria a seqüencia de acordes e a outra faria uma melodia diferente. Essa perspectiva foi proporcionada pelo Diego, que abriu a nossa cabeça para as possibilidades de interação entre duas guitarras. A parte do baixo, aqui, foi baseada em um improviso do Petry do Slap, um baixista da Famecos arranjado pelo Luciano, e que ficou tão legal que pedimos que o Nilton mantivesse. Com dois guitarristas, pudemos utilizar o riff principal para a base dos solos, que seriam no estilo Iron Maiden – um depois do outro, com 4 tempos para cada um. O meu solo foi todo ele planejado em casa, na véspera da gravação do cd, e até hoje fico bastante satisfeito com a sua composição e planejamento. Utilizei influências como Ace Frehley (no começo), Marty Friedman em “Hangar 18” do Megadeth, George Lynch em “Kiss of Death” do Dokken (na parte com a 1.ª corda solta). A letra também tem uma história à parte: foi toda ela composta pelo Bruce, mas com o título “Play my Game”, que julguei altamente não apropriado para o quão legal eu achava que a música era. Eu realmente achava que se tratava de uma baita música, e que merecia um título à altura, mais ou menos como são as músicas do Yngwie Malmsteen, que já começam legais pelo título (“Rising Force”, “Vengeance”). Assim, sugeri que o título fosse “Boats are Burning”, fazendo referência ao nome da banda, e influenciado por “Now Your Ships are Burned” do guitarrista sueco. Bruce respondeu que não haveria rima; e foi daí que sugeri que a última fase do refrão fosse “Now that you see me comin´; you know your boats are burning”. Após a gravação do cd, o Bruce sugeriu que “Black Dressing Soul” fosse a primeira música, mas na minha cabeça a primeira música do cd só podia ser BAB, pois os melhores discos de hard rock-heavy metal começam com uma música rápida e forte: Burn, Love Gun, Creatures of the Night, todos os discos do Iron Maiden (exceto The X Factor). Acho que foi uma decisão acertada, pois permite a quem nunca ouviu a BB saber que se trata de uma banda centrada em guitarras vigorosas, no melhor estilo hard rock anos 80. As pessoas geralmente tem uma reação positiva a essa música, mas acho que o Cláudio e o Nilton não eram grandes fãs dela, de modo que foi retirada do repertório dos shows.

BLACK DRESSING SOUL – Essa música foi praticamente toda ela composta em jams com o Bruce. Para nós ela desde o início demonstrou claramente uma influência do Metallica na época Load. O riff principal utiliza as mesmas notas de “Ain´t my Bitch” e “King Nothing”. A parte original dos versos jamais me deixou satisfeito, de modo que sugeri que apenas o Nilton acompanhasse os vocais, com as guitarras voltando no pre-chorus (a versão que ultimamente vínhamos tocando incorporava as guitarras nos versos, com a 6.ª corda bem abafada, e afinação toda um tom abaixo). Claudio fez uns ad-libs nesses versos que ficaram bem legais na versão do cd. Especialmente no começo da banda, eu achei que as músicas deveriam ter várias partes, tendo em vista a influência Megadeth nesse ponto. Na época de BDS, lá pelo meio de 2000, eu já achava que as composições podiam ser mais simples, mas, ainda assim, entendi que deveria ter uma parte lenta nessa música, com um dedilhado, que surgiu espontaneamente e logo vi que podia ser utilizado em BDS. Essa parte me trouxe complicações nas apresentações ao vivo, pois às vezes não conseguia sincronizar o movimento de posicionar o dedilhado na guitarra com o de pisar no pedal de distorção (a pedaleira Digitech foi adquirindo um mal-contato que me forçava a pisar com força para desligar ou acionar a distorção). A música foi composta quando já tínhamos iniciado a primeira sessão de gravações do cd, de modo que provavelmente eu gravei ela com a minha guitarra nova na época (assim como Heartbreakin´). O solo dessa música ficou ao encargo do Cláudio que o fez de maneira magnífica no cd. A letra foi incumbência exclusiva do Bruce, e aparentemente é sobre a Raquel. BDS foi excluída do repertório dos shows por algum tempo, mas nos últimos ensaios, há algum tempo, vínhamos recuperando o gosto na execução dessa música.

SAY WHAT YOU WILL (Fastway) – Bruce e eu sempre cultivamos o gosto pela descoberta de bandas novas e pesquisa de bandas consagradas ou obscuras. A internet proporcionou contato com músicas de abertura de seriados de TV, somo Super Máquina (Knight Rider), mas por alguma razão resolvemos que seria legal ensaiar o tema da Armação Ilimitada (Juba & Lula). No cd, essa é a que teve o melhor registro das guitarras (provavelmente gravei as duas guitarras com a guitarra Cobra).

COLD WIND – O dedilhado que inicia e toma conta da música foi composta bem no início da banda, e se baseia em algumas notas de dedilhados do Iced Earth (na verdade, eu olhei para umas tablaturas e comecei a improvisar em cima das notas que estavam ali, e rapidamente fiquei satisfeito com esse dedilhado). Os acordes do refrão saíram naturalmente e a parte em A foi criada numa jam como Bruce. Tínhamos várias letras sem música, e achei que a letra de COLD WIND escrita pela Raquel poderia encaixar com essa música e deu certo. O solo inicial eu compus e registrei numas gravações caseiras toscas, mas achei que ficaria melhor para o Cláudio interpretá-lo; entretanto, pelo fato de ensaiarmos muito pouco essa música, a participação dele e - também do Luciano - ficou prejudicada (o solo, para o meu gosto, não tem um bom feeling, e os bends parecem fora de lugar). Essa falta de contato prévio e íntimo com a música impediu que sentíssemos o seu “espírito” e a gravação refletiu isso (a música tinha um encerramento que eu jamais consegui lembrar da sua execução, e assim no cd a música termina em “fade out”). Seja como for, foi legal colocar essa música lenta como a 4.ª na ordem do cd e serviu para mostrar a variação do repertório.

OVER THE MOON – Essa eu considerei por muito tempo como a melhor da banda. O riff foi composto numa madrugada insone de 1998, quando estava ouvindo o primeiro disco do Primal Fear (banda do Ralf Scheepers). Levantei da cama e peguei o violão e utilizei as notas F-G-Bb-C para compor esse riff que considerei, também, com um bom estilo Black Sabbath. Na mesma hora me vieram os acordes F-G-F-Bb-G que achei bem imponentes (a cadência acaba lembrando os acordes do refrão de Hidden). É uma das primeiras composições da banda. O Bruce escreveu uma letra com o título inverso de uma das minhas músicas favoritas do Black Sabbath – Under the Sun. Num ensaio Bruce-eu-e-Luciano, o vocalista encaixou perfeitamente a letra e a música estava encaminhada. Inseri um riff legal com a 6.ª corda solta, depois do refrão, e antes dos solos, o que me pareceu correto (dentro da idéia de colocar vários riffs e partes numa mesma música – aquele riff legal só aparece naquele específico momento, tocado 4 vezes; lembro que o Daniel Ace, numa jam, quando essa música sequer tinha letra, comentou que não entendia como eu tinha “modulado” a música daquele jeito, e tomei o comentário como um belo elogio, sem sequer saber o que significava “modular” a música – para mim parecia o jeito certo de tocar e soava bem).

ATTITUDE ADJUSTMENT – Trata-se de uma composição criada toda ela numa jam com o Bruce, em meados de 2000. Simplesmente toquei aleatoriamente uns acordes (E, G, A, G, E), mais ou menos como Eddie Van Halen em Eruption, e o Bruce emendou uma batida rápida na batera. Instantaneamente toquei esse riff tipo Stratovarius e fomos tocando até o final. Gosto de Stratovarius, Helloween e Van Halen, e então essa música era o meu tipo de música; mas jamais acharia que o Bruce gostaria de uma composição dessas. Para minha surpresa, o cara curtiu e deu a ela um nome que ele achava legal – e que aparentemente vem a ser o nome de uma faixa do Aerosmith. Antes que eu pensasse em colocar uma letra nela, o Bruce ponderou que poderíamos deixá-la como estava, sem vocais. O fato é que incluímos no repertório dos shows e por alguma razão entendemos oportuna a inclusão dela no Ignitin´, e a gravação deveria reproduzir tanto quanto possível aquela primeira versão tocada espontaneamente numa jam. É uma faixa rápida, divertida e descomplicada, mas nem um pouco memorável. Curiosamente teve um cara que resenhou o cd e publicou na internet num desses sites de rock; a única música que ele se abriu foi essa, justamente a que menos nos representava musicalmente (esse foi um dos poucos retornos negativos que tivemos de Ignitin´; o cara não poupou palavras para criticar a ausência de sentido em gravar tantas músicas num cd demo em detrimento da qualidade da gravação. Realmente, o crítico tinha toda a razão; mas nós pessoalmente queríamos gravar um cd que fosse mais que uma demo de 2 ou 3 músicas – queríamos gravar um cd que se parecesse o máximo possível com um cd gravado por uma banda).

HEARTBREAKIN´ - Numa noite de sábado ou domingo qualquer estava tocando guitarra e gravando alguns riffs no computador até que surgiu esse riff incrível, com características de Van Halen e Impellitteri. Foi um momento incrível no qual o riff saiu inteiro de uma vez só, começando em A, avançando para G e voltando para F (as notas saíram exatamente do jeito que eu imaginei na minha cabeça e fiquei admirado como não precisei de nenhum contorcionismo para tocá-las – era só aplicar as notas do acorde de F maior), e finalizando com uma seqüência de notas que retornaria para A (E-F-G-A-C-D). Os versos são inspirados em Impellitteri na música Stand in Line. Algum tempo depois, numa tarde de sábado em que estava me preparando para o ensaio semanal da época me veio a parte com as pausas do meio da música até a entrada do solo: imediatamente pulei da cama e gravei tudo de cabeça no Guitar Pro no computador. No ensaio daquele dia finalizamos a música. Depois o Bruce fez a letra.

HIDDEN – Trata-se de uma música especial, pois foi a primeira música de nossa autoria com começo-meio-e-fim. O riff principal eu criei em 1998 quando estava apenas lendo umas tablaturas de músicas de banda de trash e black metal tipo Slayer e outras (foi um exercício exclusivamente visual, só para ver as notas que os caras costumavam usar nos riffs, dado que jamais tinha ouvido quaisquer das músicas). Assim, brincando com as notas é que compus o riff principal. O riff dos versos, na versão do cd, foi composto a partir de uma idéia do meu colega de faculdade na época, o Tiago; em essência, peguei aquele riff dele e dei uma incrementada (mudei a nota G# para G e acrescentei a última virada – é similar com o que o Lars fez com o riff de Enter Sandman do Kirk). Na época eu achava que as boas músicas deveriam ter vários riffs e partes, como preconizava Dave Mustaine. Depois de criar os acordes para o refrão, achei conveniente colocar uma parte com guitarra limpa. Inicialmente, o último verso da letra composta pela Raquel era cantada nessa parte (e desse jeito a música foi apresentada no 1.º show da Burnin´ Boat, em 1999, no CECAF). Mais tarde, com o Cláudio, optamos por deixar ali o seu solo de guitarra, e o último verso seria cantado sobre a base do meu solo. Lembro que quando a banda ainda tinha Felipe Stanley e o Pedro eu tinha criado um riff bem rápido para a parte que se seguiria à lenta, mas rapidamente a idéia foi descartada, pois o Pedro jamais conseguiria tocar aquilo no baixo. Assim, na mesma hora em que minha idéia foi repudiada, imediatamente sugeri “então, vamos tocar esses acordes, assim” e toquei A-F-D-E, o que funcionou legal inclusive para a volta, ao final do solo, para o riff inicial. Para o riff, a idéia inicial era seguir uma idéia que Marty Friedman explicou em relação ao solo de Symphony of Destruction: começar com poucas notas, bem devagar, para depois ir com tudo. Assim, as primeiras tentativas foram nesse estilo. Depois, evolui para um início com a pentatônica de Am, com uns bends e tal, passando para a pentatônica de E, com mais bends. Na gravação surgiu uma melodia legal. Com todas essas partes, pode-se dizer que é um mini-épico da Burnin´ Boat com pouco mais de 4min, mas com bastante pretensão e intuição.

SWEET THING – No começo da banda, eu tinha um gosto por bandas de heavy melódico, mas o Bruce tinha preferência por rock mais tranqüilo tipo Fleetwood Mac e Black Crowes (o cara não podia nem ouvir falar em Dream Theater: “é uma banda que faz bons covers, mas as músicas próprias são chatas”). Assim, eu tinha que me policiar para não fazer com que a banda não se tornasse totalmente metal, o que desagradaria imensamente o baterista. Assim, numa tarde qualquer, deixei tocando o cd Made in Germany do Axel Rudi Pell e durante a música Nasty Reputation eu toquei junto com a guitarra, mas o riff que eu tocava era diferente da que tocava no cd; apenas aproveitei o ritmo da bateria e compus o riff mais rocker do cd. Com uma lista de letras do Bruce disponível (acho que essa era sobre a Carol), eu resolvi encaixar o riff na letra de Sweet Thing, e o refrão com aqueles acordes E-E-A-B saiu imediatamente. Mais tarde encaixei aquele riff que utiliza a pentatônica de A para dar uma mudança antes do solo.

NOISE GARDEN – Essa música foi composta inteira num ensaio Bruce-e-eu, bateria e guitarra, em meados de 2000. A guitarra afinada com a 6.ª corda em D desde sempre proporcionou uma facilidade incrível para criar riffs legais, e após aquele ensaio levamos as fitas para casa, gravamos os mp3, e escrevi os riffs no Guitar Pro. A partir daí apenas estipulei a ordem dos riffs e a música estava pronta. Achamos que tinha um estilo Soundgarden, daí o nome de trabalho “Noise Garden”, tipo gozação. Resolvi, então, escrever uma letra de gozação sobre a temática grunge e suas letras depressivas-deprimentes. Mandei alguns versos e o refrão pro Bruce e ele escreveu o resto. A gravação das bases dessa música foi muito legal; pluguei a guitarra Squier Stratocaster do Bruce no amplificador (acho que Fender) do estúdio e consegui um timbre distorcido muito legal. Seco e poderoso. Enquanto tocava eu percebia que o som estava muito legal. Realmente senti muito gosto de tocar aquele riff daquele jeito. Por alguma razão eu resolvi fazer o solo dessa música e durante muito tempo me julguei capaz de fazê-lo. Até hoje acho sensacional e me surpreendo com o início com bends e depois aquele lick com a ponte que remete a Joe Satriani (no final da música Surfing With the Alien). O resto do solo também me parece bastante satisfatório. Nos últimos tempos eu optei por me concentrar nas funções de guitarra base e deleguei ao Cláudio a tarefa de executar o solo de Noise Garden, e o legal é que ele preservou esse lick Satch. É a única música com afinação diferente no disco, e por essa razão com maior peso, de modo que deixamos por último. Na época, não achava que fosse uma grande composição – sequer era tocada nos primeiros shows e demorou para ser ensaiada com a banda inteira - , mas aos poucos fomos inserindo no set list e hoje a considero um clássico da banda, e o início de uma tendência de compor com essa afinação (dropped-D).

SPECTREMAN – Achamos na internet o mp3 com a música de abertura do memorável seriado japonês Spectreman. O Guilherme Deathroner tirou a parte do baixo, o que acabou me motivando para tirar a parte do violão. A partir daí se tornou um hino da banda a ser tocado em todos os ensaios e shows. Resolvemos colocar como faixa-escondida do cd. Eu gravei as bases com a guitarra Squier Stratocaster do Bruce. Na hora do solo (que eu geralmente fazia) optou-se por delegar a tarefa de gravar a base ao Cláudio, pois ele tinha maior aptidão para fazer alguns barulhos diferentes e truques legais com a guitarra; mas ele acabou se limitando a fazer os acordes com um único toque, finalizando apenas com um harmônico artificial. Nada muito inventivo – eu poderia ter feito tudo aquilo. Mas só assim para ter os dois guitarristas gravando essa faixa.

domingo, outubro 12, 2008

14.º show - 21.11.2004 - Coruja de Minerva

A mim parece que o Nilton já não estava mais na banda quando surgiu a oportunidade para mais um show, dessa vez no Coruja de Minerva, uma espécie de Guion (sem os cinemas) perto do Estádio Olímpico. Tocaríamos no Kant Bar. O Bruce se encarregou de fazer a divulgação, inclusive com um press release divulgado em site e no Whiplash, mas não houve cartazes pela cidade, nem flyers, nem inserção de qualquer espécie, de modo que tendo o show sido realizado no final de tarde de um domingo ensolarado, num local desconhecido, não houve condições de reunir público significativo.
Os contatos com o Vinícius estavam mais fortes, e dessa vez o cara, além de tocar uma música conosco, se apresentaria com a sua banda Hileia, da qual sabíamos que podíamos esperar muita técnica nos instrumentos. A nossa apresentação na Croco certamente teve algum efeito positivo sobre certas pessoas, dentre as quais o próprio Vinicius que revelou ao Bruce a vontade de tocar uma das nossas composições próprias; mas num incrível erro de comunicação, o Bruce entendeu que a música que o Vinícius curtira era “Hidden”, quando na verdade se tratava de “Ace´s High”.
Sem o Nilton, portanto, contaríamos mais uma vez com o Luis Carlos, o que era bom de certa maneira pois o cara é tão divertido quanto, e toca baixo com competência. Realmente fiquei muito satisfeito com a disponibilidade dele, e a sua vontade de tocar, além dos constantes elogios que ele fazia ao nosso som próprio (certa vez ele disse que o riff de “Heal My Soul” era viciante, e isso me alegrou imensamente). O Luis Carlos também tinha uma formação bem diferente; o cara era fã de hard rock farofa, e tinha bons conhecimentos sobre heavy metal tradicional, de modo que naturalmente tocamos e incorporamos “For Whom the Bell Tolls”, do Metallica, ao set list, além de “Crazy Train” do Ozzy Osbourne.

A resenha que eu fiz na época para o meu blog é a que segue:

“O local do show tem nome inusitado, mas se trata de um centro comercial no estilo do Guion (mal comparando), com vários bares com sinuca, salas de musculação, tatuagem e até uma com parede para prática de "alpinismo". O lugar é decente, perto do Estádio Olímpico, e tem uma parada de ônibus bem na frente (vimos várias linhas de ônibus e lotação passando por ali). Mas o horário, o belo tempo que fez neste domingo, e a distância em relação ao Centro e ao Bom Fim, afugentaram o público. De minha parte, fiquei honrado pelas presenças qualificadas do André e do Dieter.

Encontramo-nos diretamente no local às 16h (o show estava previsto para 18h). Como a nossa seria a primeira banda, fizemos a passagem de som por último. Tocamos apenas a metade de HIDDEN com o Vinícius. Rolou, após, uma pequena jam (alguns riffs nossos) entre eu, Bruce e Márcio (guitarrista da Hiléia). O show começou pouco depois das 19h.

O set-list foi tacitamente determinado por mim, em atenção às trocas de afinações e à participação do Vinícius: ACE´S HIGH, BLACK DRESSING SOUL, NOISE GARDEN, HEAL MY SOUL, CRAZY TRAIN, FOR WHOM THE BELL TOLLS, HIDDEN e PERFECT STRANGERS - e SPECTREMAN. De modo geral, a execução das músicas foi boa. Rolou alguma empolgação em ACE´S HIGH (por ser a primeira, e por ser boa). Aparentemente, segundo o Bruce ao final do show, era essa que o Vinícius havia pedido para tocar; mas, em razão de uma falha na comunicação entre os dois, acabou tocando em HIDDEN. CRAZY TRAIN, como era de se esperar, foi outra que empolgou (um dos presentes posicionou-se bem a frente do Cláudio na hora do solo).

A participação do Vinícius, mais uma vez, foi muito boa. Ele, efetivamente, tirou os riffs de HIDDEN e ainda solou naquela parte lenta da versão de estúdio, que não tocávamos há bastante tempo, e que foi resgatada exclusivamente para esse show. PERFECT STRANGERS foi perfeita - é daquelas extremamente chatas de tocar nos ensaios, só com as guitarras, mas altamente compensadoras quando executadas ao vivo, com o acréscimo dos teclados.

Em seguida subiu ao palco a Hiléia. Todos os integrantes possuem invejável técnica. Abriram com ANOTHER DIMENSION do Liquid Tension Experiment, tocaram um pouco do riff de AS I AM do Dream Theater e emendaram com uma composição própria (THE WORST DAY OF YOUR LIFE), se não estou enganado. Mas o melhor momento da noite, para mim, foi quando eles tocaram EROTOMANIA do Dream Theater. É, seguramente, o melhor instrumental do DT, que exige muito do guitarrista. E o Márcio, que confidenciou que a banda não havia ensaiado para o show, desempenhou brilhantemente o papel de John Petrucci - o cara tem uma palhetada muito boa, e é muito ágil na mão esquerda. Sem contar que alcançou timbres decentes da pedaleira Digitech 7 (eu tenho a 6, e não uso mais). Rolou um cover de MASTER OF PUPPETS. Quando deram por encerrado o show, exigimos que tocassem um Rush. Luke sugeriu YYZ, que foi perfeitamente executada.

A Silent Storm fechou com vários covers de clássicos do metal e uma composição própria (bem melhor que Gamma Ray). Abriram com KILL THE KING do Megadeth (bela música). Em geral as execuções foram bem aceleradas - mas não vejo nada de errado nisso, pois acabou até sendo positivo, uma vez que reprisaram FOR WHOM THE BELL TOLLS e MASTER OF PUPPETS. Tocaram um Iced Earth que é muito bom (não lembro o nome da música), um Iron (TRANSYLVANIA), outro Metallica (SEEK AND DESTROY), e outro Megadeth (SYMPHONY OF DESTRUCTION). O guitarrista solo tem boa técnica, mas o timbre não ajudou. O Luke mandou bem no baixo e nos vocais (é afinado, e compensa alguma falta de alcance da voz com uma presença de palco altamente carismática - o lance do "Concurso garota Silent Storm" foi hilário).

De modo geral, considerei positivo o show, pois não houve problemas com o som (que muitas vezes esteve bem alto) e nem com a organização. A falta de público é mesmo um problema crônico, que só será resolvido quando se fizer propaganda mais agressiva, como cartazes nas ruas, inserções nas rádios e até apresentação em programas tipo Radar e aquele da TV COM, além de consolidar o Coruja de Minerva (que nome!) como local para shows de som pesado.”


Pouco depois desse show, fizemos mais três ensaios no final de 2004, todos eles com o Luis Carlos no baixo, e apenas o primeiro com o Cláudio na guitarra. Resolvemos baixar a afinação das guitarras em um tom, que era uma tendência já revelada há algum tempo. Esses ensaios foram totalmente descompromissados, e no segundo deles tivemos a oportunidade de fazer um dos mais divertidos de todos os tempos, no qual o Bruce, eu, o Luis Carlos e o Luciano (além do Sebastian, dono do estúdio), fizemos covers de uma porção de músicas de várias bandas diferentes. Após o terceiro ensaio, resolvi não agendar o próximo encontro, pois não queria me vincular naquele final de ano. Mal sabia eu que aquele seria o nosso último encontro antes de tocarmos mais uma vez um ano depois, em janeiro de 2006.

Em 2005, cada um foi para um lado. O Cláudio arranjou um belo trabalho na Finlândia, e assim passaria 2006 fora do Brasil. Em janeiro de 2006 resolvemos fazer um ensaio de despedida, e assim nos reunimos com o Gilberto e o Luciano nos vocais, além do Nilton no baixo.

Apenas em março de 2007 o Bruce e eu voltamos a nos reunir para uma sessão de gravações, na qual registramos algumas músicas há tempo compostas (“Sluts of Justice”, “Heal my Soul”), revitalizamos um bom riff (“Oblivious”) e ainda juntamos idéias em torno de um dedilhado estilo Opeth que havia criado no final de 2004 (que o Bruce denominou de “Hollow”). De todas a melhor é essa última, e a sua criação foi bastante inusitada e o resultado foi bem satisfatório. Apesar do meu plano de fazer esse tipo de sessão uma atividade mensal, acabei sucumbindo a outros afazeres inadiáveis, de modo que mais uma vez a banda ficou inativa.

segunda-feira, outubro 06, 2008

13.º show - 12.08.2004 Croco

Depois do show do Arsenal, o Nilton, o Cláudio e eu chegamos a ir na casa do Bruce, em junho/2004, para fazer umas gravações caseiras dos riffs e músicas novas. Pegamos emprestada a pedaleira Boss do Cláudio que permitia baixar a afinação sem precisar altera qualquer coisa na guitarra; ficamos empolgados com essa liberdade e com o peso proporcionado por afinações bem graves, e gravamos as coisas vários tons abaixo (6.ª corda em B).

Com a volta do Luciano (afastado por um ano para um período de aprendizagem nos Estados Unidos), acertamos que ele e o Gilberto seriam os vocalistas da Burnin´ Boat, tentando recriar o clima muito bom do show do Teatro de Câmara em 2002, e ainda imitar de certa forma o que o Deep Purple fez com David Coverdale e Glenn Hughes. Para mim foi a solução ideal ter os dois vocalistas, pois acho que a banda não poderia prescindir de nenhum. Só que por alguma razão o Luciano não curtiu a experiência no Arsenal e convocou uma reunião de todos para que deliberássemos, afinal, quem seria o vocalista da Burnin´ Boat. O encontro se deu no Cavanha´s da R. Lima e Silva, e a experiência foi muito proveitosa, pois apesar do assunto espinhoso, ficamos com a sensação de que aquele tipo de conversa em volta de uma mesa de bar era muito legal e fazia falta na nossa banda. Conquanto eu estivesse meio atordoado e confuso com a decisão a ser tomada, o Bruce e eu ponderamos que deveríamos nos valer de um critério objetivo, no caso, o do “tempo de serviço”. Independentemente das nossas opiniões pessoais (cada um tinha uma...), achei justo que a decisão se baseasse num critério desse tipo, pois não estava disposto a comprar briga com quem quer que fosse. O Luciano, ademais, no meio da conversa, lançou um argumento que achei significativo: no tempo em que ele ficou de fora, não progredimos nada, isto é, não fizemos shows, nem compusemos significativamente músicas novas, nem estabelecemos uma rotina regular de ensaios. Não lembro de terem o Nilton e o Cláudio se manifestado dando alguma preferência. Então, no final da conversa, que aparentemente transcorreu numa boa e sem ressentimentos, ficou deliberado que o Luciano estava de volta e seria o único vocalista da Burnin´ Boat.



Pouco tempo depois surgiu a chance de fazermos mais um show, desta vez na Croco, localizada na R. 24 de Outubro. Inicialmente, o Cláudio e o Nílton estariam indisponíveis para a data, de modo que repetiríamos a experiência do Teatro de Câmara, na qual eu fui o único guitarrista, e teríamos o Luis Carlos como baixista. Nessas condições, o set list teria que ser curto, mas as músicas seriam pesadas.


O show contou com divulgação interessante, mediante flyers e até uma inserção no caderno de variedades de um jornal local (sempre quis que aparecesse algo do tipo, pois costumava conferir ali quais as bandas tocariam em determinado dia). Assim, o público foi muito bom, talvez o melhor de todos os shows.

Com apenas um ensaio de antecedência, tivemos o ingresso do Cláudio, que eventualmente se tornou disponível. Ajustamos duas participações especiais: Vinícuis, nos teclados, para três músicas, e Cris, no vocal, para cantar um trecho de “As I Am” do Dream Theater, no meio de “Hidden”.


O show foi memorável e isso ficou expresso na resenha que fiz para o este blog:

“Seguramente, este foi o melhor show da história da BURNIN´ BOAT. Vivenciamos aquele tipo de noite em que TUDO deu certo; realmente, uma noite memorável.


A passagem de som estava marcada para as 18h; chegamos lá depois das 20h, e a bateria recém estava sendo ajeitada. Passamos o som primeiro, pois estávamos todos lá (com exceção do Luciano): a 1.ª banda da noite, Ultrasônica só chegou na hora do show, e a 3.ª banda, Coyote Junkie estava dispersa.

Na passagem, iniciamos tocando ACE´S HIGH. Eu utilizei o ampli Fender Princeton, com sua própria distorção - decisão acertadíssima - e o Cláudio usou o Behringer V-Amp 2 , que todas as revistas de guitarra nacionais consagram como o melhor simulador de amplificadores e efeitos do mercado. Conforme o próprio Cláudio, esse simulador não é tão bom assim, "nada supera um bom amplificador".


Efetuados ajustes, tocamos PERFECT STRANGERS, já com Vinícius nos teclados. Foi uma versão majestosa, todos perfeitamente afinados, e os presentes se entusiasmaram bastante. Seguimos, então, com AS I AM (duas vezes).

Os shows, propriamente, só começaram às 0h, e assim ficamos um tempão batendo papo. A Ultrasônica (que no flyer era definida como do estilo "hard pop") tinha bons músicos (destaque para o baixista e para a Ibanez Jem branca de um dos guitarristas). Abriram com LIKE A STONE, apresentaram composições próprias (que não foram do meu agrado - mas respeitei bastante o fato de que eles baixaram a afinação da sexta corda para D), e fizeram uns covers muito bons de Foo Fighters entre outros. Fecharam com KILLING IN THE NAME do Rage Agains the Machine, que ficou muito legal e empolgou a galera. Aliás, a presença do público, surpreendentemente, foi muito boa.

Enquanto nos arrumávamos para assumir o palco, tocou no som mecânico belas músicas: ROAD TO HELL, LONG LIVE ROCK´N´ROLL, entre outras.

Nosso set list foi inteiro apresentado corrido, com pequenas pausas entre as músicas. Foi uma estratégia espontânea e certeira - não demos descanso aos ouvidos de ninguém. A afinação em D ficou com peso e vigor na medida. O público reagiu bem a todas as nossas músicas, mas teve algumas que a empolgação foi geral.

ACE´S HIGH se confirmou como uma ótima escolha para abrir shows. Em seguida puxei NOISE GARDEN, cujo riff principal fica otimizado pela afinação. Rolou algum alvoroço do público, que balançou a cabeça no ritmo cadenciado da música. BLACK DRESSING SOUL ficou boa também. A essas alturas eu já não ouvia mais o baixo do Luís Carlos e a guitarra do Cláudio, mas tenho convicção de que mandaram muito bem. Sem ouvi-los, o jeito foi confiar no instinto e na bateria do Bruce e seguir adiante.

Fizemos uma ótima versão para HIDDEN. Dessa vez, eu senti aquele riff inicial melhor do que nunca. No meio da música, naquela parada, fizemos o trecho AS I AM do último do Dream Theater. Vinícius e Cris assumiram teclado e vocal, e a música ficou muito bem executada. Nesta a galera se empolgou também. A meu juízo, é o tipo de música que é mais legal de tocar do que de ouvir no cd.

Vinícius, então, fez a clássica introdução de PERFECT STRANGERS, e ali eu percebi que a sensação de tocar com o cara é o mais próximo do que se pode chegar à sensação de tocar com o próprio Jon Lord ou Don Airey. O Luís Carlos referiu que se arrepiou nessa introdução; e não é sem razão. Eu não me arrepiei, mas tremi-a-perninha nessa (e em todas as músicas do set list). A execução foi brilhante, e causou comoção na galera. E o teclado fez toda a diferença, pois nos ensaios, só com as guitarras, a música perde bastante o brilho.


Pausa para anunciar o show da banda do Vinícius - Hiléia - no dia 21/08. Não há dúvidas de que o cara é o MVP de qualquer show, de modo que a apresentação da Hiléia, com músicas próprias e covers de Dream Theater, é bastante aguardada. O Henrique, responsável pelas (belas) fotos do show, não perdeu tempo e gritou SPECTREMAN.

A galera pediu mais Deep Purple - teve quem gritou BURN. E seguimos exatamente com essa, que ficou uma bala. Mais uma vez o Vinícius tocou o solo do Blackmore; e o Cláudio, o do Jon Lord. Finalizamos com HUNTING HIGH AND LOW.

O cara da mesa de som já estava prestes a colocar o som mecânico, quando puxei SPECTREMAN. A música não tinha sido ensaiada com o Luís Carlos, por isso não estava prevista. Mas, realmente, não podia faltar. E tocamos assim mesmo. O Lukee tentou acompanhar - não deu muito certo - mas o importante mesmo era tocar. Risos por toda parte. Aí sim, acabamos a apresentação, e o cara da mesa botou MAN IN THE BOX no som mecânico - coincidentemente, é a música que eu venho palpitando para tocar nos shows.

A Coyote Junkie fez uma bela apresentação, só com covers de rock. Os caras estavam muito bem ensaiados, e tinham um guitarrista muito bom, com pentatônicas certeiras. O vocalista eu também curti, deu conta de alcançar o timbre de Brian Johnson e Axl Rose em músicas difíceis como BACK IN BLACK, WELCOME TO THE JUNGLE, entre outras. Rolou até JAILBREAK do AC/DC, que foi a música que me impulsionou para o hard rock/metal em 1993.

Os melhores comentários do show quem ouviu foi o Cláudio. Um dos guitarristas da 1.ª banda (Ultrasônica) achou que a nossa afinação era em B, porque segundo ele "eu toco em D, mas não fica assim tão pesado"; perguntou também se a Cris era da banda, referindo que ela tinha se apresentado bem. Eu, particularmente, fiquei bastante satisfeito com os comentários elogiosos sobre as composições próprias e ao peso das guitarras. De fato, foi uma noite memorável em que tudo deu certo.”


Resenhas dos ensaios até este show:

1) 07.08.2004 - Improvisando
2) 10.08.2004 - Cafezes
3) 12.08.2004 - Na hora a gente acerta

segunda-feira, setembro 29, 2008

12.º show - 22.05.2004 Arsenal Pub

Após o show do Guanabara, voltamos a ficar meses só ensaiando eu e o Bruce, mas com freqüência cada vez menor. A partir do feriado de finados de 2003, cada vez mais eu me comprometi com o trabalho, e optei por abandonar a tarefa de empurrar a Burnin´ Boat para frente (afinal, ninguém mais parecia estar se importando).

Ponto positivo do show do Guanabara foi o contato que o Bruce manteve com o baixista da Silent Storm, o Luis Carlos (Lukee), um excelente sujeito com o qual o Bruce se encontrou na fila do show do Deep Purple. A partir daí, esse encontro frutificou em uma participação crescente do Luis Carlos em todos os projetos conhecidos do Bruce, e, eventualmente, até na Burnin´ Boat.

Ficamos sem ensaiar desde outubro de 2003 até maio de 2004, e só voltamos porque havia sido agendado um show no Arsenal em comemoração ao aniversário do Gilberto. O cara reservou o local e organizou a apresentação de duas bandas que ele estava conduzindo na época (Burnin´ Boat e uma outra de covers, a Firewall), além do primeiro projeto que tenho notícia envolvendo a então namorada (e futura esposa) do Bruce, a Cris. Nunca tinha reparado no Arsenal, na Av. Goethe, muito menos poderia imaginar que ali teria uma casa para abrigar shows, pois se trata de uma conhecida região que concentra bares com freqüência noturna.

O pai do Bruce já estava utilizando regularmente o nosso local de ensaios (o nosso “estúdio”), e então começamos a praticar em estúdios de verdade.

O Luciano havia feito uma viagem de vários meses para os Estados Unidos, e assim efetivamos o Gilberto como vocalista. Quando o Luciano voltou, pedimos para o cara fazer uma participação cantando algumas músicas.

Em relação ao set list, incorporamos uma música majestosa do Black Sabbath (“War Pigs”), e uma que toda banda cover do Iron Maiden toca (“The Evil That Men Do”), além de uma que é de uma banda que eu sempre gostei, mas não é do estilo da Burnin´ Boat (“Hunting High and Low” do Stratovarius). De última hora, para esse show, conseguimos o acréscimo do Vinícius, um tecladista excepcional que o Bruce (como sempre) conheceu pela internet, para tocar na música do Stratovarius e em “Perfect Strangers” do Deep Purple.

Foi a seguinte a resenha que escrevi sobre o show para neste blog:

“foi uma noite boa, na qual tudo deu certo. O local é pequeno, mas com boa acústica (não precisamos aumentar muito o volume dos amplis pra tomar conta do bar), e teve bom público. Além de presenças consagradas em shows da Burnin´ Boat – notadamente, Fernando & Vanessa, Ace e Minduim - , o show de sábado ainda foi acompanhado pelo grande Barboza (com qualificadas presenças femininas, que agitaram todo o show da banda do Dioberto – Firewall). A passagem de som, que rolaria às 21:00, na verdade, só ocorreu quase duas horas depois. Tocamos, então, HIGHWAY STAR e WAR PIGS.

Quem se apresentou primeiro foi o projeto capitaneado pelo Bruce, Insight, com versões acústicas de Evanescence, Mr. Big, Christina Aguilera, entre outros. Em seguida, “subiu” ao palco a banda do Dioberto (com Nílton no baixo) – Firewall – com introdução erudita (CARMINA BURANA), apresentando covers clássicos, empolgantes e, sobretudo, infalíveis: YOU GIVE LOVE A BAD NAME, IT´S MY LIFE, COCHISE foram as melhores – teve ainda ROCKIN IN THE FREE WORLD, LIKE A STONE, SMOKE ON THE WATER, ROCK AND ROLL ALL NITE, PLUSH, uma do Pearl Jam que não lembro o nome agora. A banda melhorou consideravelmente em relação ao outro show que eu tinha assistido antes (no aniversário do Dioberto do ano passado, no Guanabara) – estavam todos bem entrosados e ensaiados. Os guitarristas se valeram de invejáveis instrumentos – um com uma Ibanez preta modelo Steve Vai, e outro com uma Ibanez branca modelo Paul Gilbert. O Nílton esteve seguro como sempre, sem deixar de fazer palhaçadas durante todo o set. O Dioberto igualmente esteve bem, até na exigente COCHISE.

A essas alturas eu já estava desolado, pois havia assistido duas bandas tocando repertórios conhecidos, e muito bem ensaiadas. O público do local (pelo menos o pessoal que estava na parte de baixo) não era “metal”, e eu já estava prevendo as pessoas indo embora no meio do nosso show. Ademais, o show só começaria à 1h da manhã, e neste horário, depois de duas (boas) apresentações, realmente, é demasiado acreditar que as pessoas ainda vão ter pique de assistir uma banda tocando um som desconhecido e pesado até o final. Particularmente, prefiro ser uma das bandas intermediárias (mas essa parece ser uma opinião só minha).

Em todo o caso, o show foi um dos melhores da banda. Tocamos o set com erros pequenos, que não atrapalharam o andamento das músicas (eu estava preocupado com WAR PIGS e o começo THE EVIL THAT MEN DO, que não estavam suficientemente bem ensaiadas). Abrimos, então, com WAR PIGS, e fomos bem. Seguimos com BLACK DRESSING SOUL, que teve um belo solo do Cláudio. Essa música ficou bem pesada, e está cada vez mais legal de tocar (realmente acho que foi uma dentro botar a guitar pra acompanhar o baixo nos versos). THE EVIL THAT MEN DO ficou bem empolgante (pra mim, pelo menos). O Cláudio fez o início sozinho, como havíamos combinado pouco antes do show.

Partimos, então, para a afinação dropped-D: NOISE GARDEN ficou muito legal, com peso e andamento perfeitos.

Havíamos combinado, previamente, com o Luciano Gillan que ele cantaria no show duas músicas: ACE´S HIGH e AUNT EVIL (as quais o Dioberto ainda não aprendeu as letras). Só que no momento de tocar HIDDEN, o Dioberto acabou chamando o Gillan ao palco, causando algum tumulto. Tentamos (eu e o Bruce), consertar a situação, pedindo para o Gillan cantar HIDDEN, e depois as outras duas combinadas; só que o Gillan revelou alguma resistência (provavelmente pelo estado etílico), e acabamos tocando ACE´S HIGH mesmo, que ficou muito legal (naquele momento eu toquei o riff de abertura com todo o vigor). Das músicas “novas” (assim entendidas aquelas que não estão no cd “Ignitin´”) essa é a minha favorita.

Ainda incertos quanto a ordem do set, tocamos HIDDEN, pois o Gillan acabou concordando em cantar essa. Mas aí o Dioberto voltou ao palco, e dividiram o vocal. Rolou tudo certo na jam do meio da música: riff White Stripes e o início de THE NUMBER OF THE BEAST (erramos comicamente o final). Essa versão de HIDDEN, na qual o Bruce muda o clima da música - ora aceleradíssimo, no estilo Lars Ulrich dos primeiros discos & St. Anger, ora stoner, somando-se a isso o refrão mais calmo tipo em algumas do System of a Down, onde há mudança brusca de andamento – é realmente bem interessante, e muito pesada.

Novamente só com o Gillan tocamos AUNT EVIL, que eu curti bastante. Acho que isso tudo mostra que o Luciano não perdeu o entrosamento que sempre tivemos (eu, ele e o Bruce), e tudo sempre dará certo quando todos lembrarem de suas partes nas músicas – ensaios são até desnecessários quando todos conhecem bem as músicas. Tanto é que ele cantou essas três sem nenhum ensaio, e se saiu bem.

De volta à afinação normal, tivemos o acréscimo qualificadíssimo do tecladista Vinícius (da banda Worldengine do Bruce), que se mostrou um verdadeiro Jordan Ruddess (tanto musicalmente, quanto na performance). Tocamos, então, BURN. Abdiquei do meu solo em seu favor, causando uma inusitada situação: o tecladista tocou o solo do Blackmore e o guitarrista, o do Jon Lord. Quem nos conhece sabe que isso é perfeitamente explicável. Em seguida tocamos HUNTING HIGH AND LOW, que ficou bem legal – achei muito melhor com o teclado acompanhando aquele riffzinho do começo. Nessas duas músicas eu me senti bastante seguro com o tecladista, o que sempre acontece quando há um músico de exceção tocando ao lado.

Já exausto (e com forte dor de cabeça), deixei o palco para os outros fazerem a jam que entendessem devida. PERFECT STRANGERS ficou muito boa. Tocaram várias ainda: WASTING LOVE, THE TOWER (com o Gillan), entre outras. Mesmo assim, fiquei até o final, pois meu equipamento havia sido requisitado e deveria estar lá disponível para quem quisesse tocar. O Dioberto, que havia orquestrado a jam, saiu logo no começo, o que me causou espécie. Certamente, um dos melhores momentos da jam foi CONFORTABLY NUMB, e gostei da hora em que o Nilton cantou alguns versos. A música teve dois solos de guitar: no primeiro, Cláudio se mostrou hesitante (acho que não era esse o solo que ele costumava tocar na Hard Times, ou outra banda/projeto em que esteve envolvido), mas no segundo solo ele tocou com firmeza e até algum feeling.

Foi uma bela noite, e agradeço a todos os que se fizeram presentes, especialmente ao grande Barboza (e suas alegres amigas – têm que levar elas em todos os shows!), e à Vanessa, que tomou conta da minha máquina para as fotos (só que a máquina não está comigo: ou não me foi devolvida – o que eu espero tenha ocorrido; quero crer que ela está segura nas mãos da Vanessa/Fernando/algum conhecido - , ou ficou esquecida no local, caso não tenha sido encontrada pelo Bruce). Burn the boats! “




Resenhas dos ensaios até este show:

1) 02.10.2003 - Dupla de dois
2) 16.10.2003 - We jam at night
3) 08.05.2004 - And then we were 5
4) 12.05.2004 - Café da manhã no estúdio (e com chuva)
5) 19.05.2004 - O último antes do show

segunda-feira, setembro 22, 2008

11.º show - 13/09/2003 Guanabara Bar

Em 2003 eu já estava formado e logo passei a me preocupar com o exame para entrar na ordem, e após ingressar no mercado de trabalho. Conseqüentemente, a banda passou para um segundo plano de preocupações, e foi o começo da dispersão de todos. Mesmo assim, ainda mantínhamos contato e ensaiávamos com regularidade, na medida do possível. A partir de julho de 2003, passei a manter um blog, no qual mantive anotações dos ensaios e dos shows que viriam.

Nessa época o Metallica recém havia lançado o controvertido cd “St. Anger”. Não ouvi o cd tanto quando deveria, mas foi o suficiente para receber certa influência no nosso jeito de tocar. O Bruce também ouviu e curtiu o cd, e teve idéias para modificar a execução de algumas músicas. O maior exemplo disso foi “Hidden”, que ficou mais brutalizada, especialmente nos versos (o Bruce se puxou na levada à la Ulrich). No refrão, o baterista sugeriu que baixássemos o volume e tocássemos no estilo System of a Down, e assim a influência new metal estava, de certa forma, consolidada. Essa versão passou a ser aperfeiçoada e desde então tocamos “Hidden” desse jeito, bastante diferente da versão gravada no cd.

Sempre gostei de tocar com afinação dropped-D, mas nessa época incrementamos a utilização dessa afinação alternativa, que conduziu a jams muito legais. Vários riffs bons foram compostos nessas ocasiões, mas infelizmente não pudemos nos concentrar neles o suficiente para produzir canções novas. Uma exceção foi um riff meio parecido com um do Van Halen (numa música que apareceu no “Best of” como nova composição com Sammy Hagar), ao qual agreguei uns acordes que lembram “Wherever I May Roam” do Metallica. Durante um tempo essa música foi executada sob uma letra do Gilberto que parecia encaiar perfeitamente (“Come Out and Play”), mas quando ele saiu da banda encaixamos uma letra minha que, na verdade, era para ser candata em outra música (“Heal My Soul”, não sem antes termos tentado a letra de “Jenna´s Revenge”).

A formação ainda contava com os dois vocalistas, mas dificilmente reunimos todos os integrantes para os ensaios. Era sempre o Bruce, eu, e mais um ou outro que se disponibilizasse para aparecer. Tentamos incorporar músicas do Dream Theater no repertório de covers, mas com a falta de ensaios regulares com todos os integrantes (e a falta de treino em casa) não foi possível.

Sobre o show, escrevi o seguinte neste blog, há cinco anos atrás:

“esse show foi completamente diferente de todos os outros. A "organização" foi a pior possível - não teve passagem de som, além de não ter sido divulgado o show. Em outras palavras: ninguém foi. Além de nós, se apresentaram a FIREWALL (covers do Dioberto), a SONICVOLT (stoner rock do Luciano) e a SILENT STORM (metal). E o público presente limitou-se aos integrantes das bandas e alguns agregados (valeu pelas fotos, Raquel).

A FIREWALL tocou primeiro (começou depois da meia-noite). Repertório exclusivo de covers, vários estilos. Os melhore momentos foram a participação do Luciano em SMOKE ON THE WATER (ele esteve brilhante também durante o show da Burnin´ Boat), o solo de guitar de JUMP, e a interpretação do Dioberto nas músicas do Pearl Jam e STP.

Minutos antes de subirmos ao palco, alteramos o set list: NEON KNIGHTS e HEARTBREAKIN foram excluídas em favor do medley Black Sabbath que fora muito bem sucedido no ensaio. De modo geral, posso dizer que a apresentação foi boa - os erros pontuais (e inevitáveis, diante da escassez de ensaios) foram contornados com tranqüilidade. Esse foi o show em que realmente nos permitimos IMPROVISAR no palco.

Havíamos combinado tocar um trecho de SHINE ON YOU CRAZY DIAMOND (Pink Floyd) no início, antes da 1ª música: mas na hora eu puxei outra da mesma banda: BREATHE. O show, propriamente, começou com ACE´S HIGH, seguido de HIDDEN. Nessa tocamos o riff de BLIND (Korn) e fizemos uma pequena jam, a qual serviria de base pro solo do Cláudio. Como ele não se ligou na hora, acabou que eu fiz o solo.

A partir de agora eu não lembro da ordem das músicas exata, pois fomos tocando sem seguir o set list elaborado pelo Dioberto. NOISE GARDEN ficou legal: baixei a sexta corda pra D(ré) depois de iniciada a música (antes do riff principal). E ficou muito afu o timbre pesadão. Falando em timbre, apanhei bastante do Marshall que tinha lá - a toda hora eu aumentava o volume, porque nem eu que tava na frente dele podia ouvir a minha guitar. Usei a própria distorção do ampli.

O cover de PERFECT STRANGER ficou bem legal, uma das melhores execuções que já fizemos dessa música. BLACK DRESSING SOUL também ficou legal e sem erros; não fosse pela apatia reinante pela falta de público, essa teria empolgado bastante. Lá pelas tantas o Dioberto chamou o medley Sabbath que começou bem com IRON MAN, até a parte do solo. Nesse momento, puxei CHILDREN OF THE GRAVE, que acabou ficando só no instrumental, pois nenhum dos vocalistas resolveu cantar. SWEET LEAF ficou legal. WAR PIGS me deixou arrepiado - nunca dei muita bola pra essa música, mas agora eu já estou revendo essa posição.

KILL THE KING (Rainbow) rolou depois desse medley e foi outro bom momento. Nessa música, depois dos solos, o Luciano (que já tava bem alcoolizado) passou o microfone pro Dioberto de forma bem rude - comecei a rir muito, até parei de tocar, e só voltei "a si" (SIC) no refrão. 2 MINUTES TO MIDNIGHT foi a última da noite, e o instrumental ficou perfeito. Os vocais só não renderam porque o pessoal não decorou a letra ainda. Quando acabamos, demos por terminado o show - na hora o Bruce lembrou que AUNT EVIL não tinha rolado; mas aí já era tarde. SPECTREMAN também ficou pra próxima.

A SONICVOLT acabou não se apresentando - os caras foram embora. Ficamos, então, pra ver a SILENT STORM, que tocou covers de Iced Earth (que ficaram bem bons até), Stratovarius (Break the Ice, do 2o disco dos caras - total surpresa), Gamma Ray (insuportável, "Heaven Can Wait"). Foi bem metal, retão, e eu me epolguei bastante.”


O baixista e vocalista da Silent Storm era o Lukee, que a partir do show do Deep Purple/Sepultura/The Hellacopters no Gigantinho, ainda naquele ano, viraria grande faixa do Bruce, e parceiro musical, inicialmente na Worldengine, e depois na própria Burnin´ Boat como baixista.

Resenhas dos ensaios até este show:

1) 10.07.2003 - Fistful of riffs
2) 25.07.2003 - Heaven Cafe Inc
3) 21.08.2003 - Até a pé nós iremos (com o Kiss)
4) 28.08.2003 - ...And Jenna for all
5) 10.09.2003 - Sabbath R Us

segunda-feira, setembro 15, 2008

10.º show - 17/05/2003 Guanabara Bar

Poucas memórias sobre esse primeiro show que fizemos em 2003 no Guanabara Bar (local que foi palco para um homicídio, alguns meses depois, numa festa hip hop). O Valmor Senior se fez presente, assim como o Bernard e o Gabriel, ambos ex-Bed Reputation; o último era o baixista da banda do Dioberto (Firewall), e ele, juntamente com o tecladista da mesma banda, foram os responsáveis por conseguir um bom público (parecia o recreio do Rosário). O show foi organizado pelo Dioberto, em comemoração ao seu aniversário, de modo que ele tocou com sua banda de covers, e depois fomos nós (não lembro se teve outra no meio). O repertório não deve ter diferido muito do que executávamos na época: uns covers de Deep Purple, Black Sabbath, talvez algum Iron Maiden.

quarta-feira, setembro 03, 2008

9.º show - 22.05.2002 – Teatro de Câmara Túlio Piva (com Trem Bala e Carbono)

O contato com o Hernani rendeu mais um fruto, desta feita no Teatro de Câmara Túlio Piva, que fica na R. República, perto do Colégio Pão dos Pobres. Esse foi o único show no qual não contamos com o Cláudio, que não estaria disponível tendo em vista uma viagem para Campinas/SP (acredito que era um congresso relacionado com a faculdade dele). Resolvemos que seria só eu o guitarrista, mas achamos que seria uma boa também ter dois vocalistas se revezando no palco, e depois os dois se juntarem no palco. Em relação ao repertório, as músicas não poderiam ser muito complicadas dada a minha limitação como solista, e convencionamos que as canções deveriam ser mais ou menos conhecidas. De músicas próprias, a serem cantadas pelo Luciano, escolhemos “Boats are Burning”, “Hidden” e “Ace´s High”, sendo que esta última era uma excelente composição do Daniel Ace Lairihoy (houve uma época em que o Bruce e eu fizemos algumas jams com ele, e um dos temas era esse, com um riff cromático, que vinha depois de um hipnótico riff principal. A idéia era excelente, e o Bruce inventou uma quebrada magnífica, que nos deixou desconcertados e nos deu trabalho para aprender a contar e tocar corretamente. Posteriormente o cara nos liberou essa composição, pois não pretendia utilizá-la em nenhum dos seus muitos projetos inacabados. Nós nos incumbimos de finalizar a música e o fizemos em ensaios, incorporando umas partes mais ou menos diferentes).

Valmor: Se o posterior show da Croco é ainda o mais memorável show da BB, guardo este como o show com o melhor som. Tenho uma vontade enorme de voltar a tocar naquele teatro, cuja acústica é fenomenal. Lembro que a sonoridade encorpada da minha bateria afetou substancialmente a minha maneira de tocar naquela noite.

Em relação aos covers, estipulamos “Mistreated”, na versão do álbum Made in Europe (contendo o clássico blues “Rock me Baby”), e o clássico “Smoke on the Water”, ambas do Deep Purple. Para fechar, duas do Kiss na versão do disco Alive III: “Rock and Roll All Nite” e “Lick it Up”.

GILBERTO: Eu lembro que a entrada de "Lick It Up" no set list se deu por iniciativa minha, grande apreciador de medleys. Ensaiávamos pela primeira vez tendo esse show em vista e ao acabar Rock "And Roll All Nite" eu engatei "Lick It Up" instintivamente, a banda abraçou, e o resto é história.

A noite era fria e chegamos por volta das 20h, encontrando todos do lado de fora do teatro. Não recordo da passagem de som, mas lembro um pouco da performance enérgica da banda que tocou antes de nós.

O legal era que se tratava de um teatro, e assim nos arrumamos com as cortinas fechadas. Iniciamos “Boats are Burning” e as cortinas se abriram. Permaneci tranqüilo, na medida do possível, e até aproveitei um pouco. O Gilberto sempre foi o mais performático e era muito legal vê-lo no palco, sobretudo pela interação com o público. Assim, o cara anunciou que a próxima música seria uma bem desconhecida, ao que eu iniciei “Smoke on the Water”. Foi muito legal a reação da galera a esse riff clássico (apesar de que errei feio no solo).

GILBERTO: fato é que eu sempre tentei compensar minha falta de grandes alcances agudos (totalmente dispensáveis) com uma boa performance e improvisação. Mas o crédito todo fica com o clima que emana de um palco e da iluminação que aquela estrutura nos oferecia - anima tocar num lugar próprio pra um grande show como foi aquele.

Valmor: Gosto muito de curtir em vídeo nossa auto-indulgente performance de "Mistreated" deste show, uma das nossas mais ousadas e longas.

Os shows das bandas que nos precederam não foram marcantes, senão pelo fato de que o vocalista da banda que subiu ao palco antes de nós estava visivelmente alterado (leia-se: sob efeitos de psicotrópicos).

Set list: Boats Are Burning, Ace´s High, Hidden, Smoke on the Water, Mistreated, Spectreman, Rock and Roll All Nite & Lick it Up.

GILBERTO: se não me engano, aquele foi meu "ticket de entrada" pra Burnin' Boat como membro efetivo.

sexta-feira, agosto 22, 2008

8.º show - dez2001 – Auditório Araújo Vianna (Radamés Gnatalli)

No final de 2001 tivemos a oportunidade de participar de mais um evento patrocinado pelo Hernani, dessa vez numa sala do Auditório Araújo Viana no Parque da Redenção (ou Farroupilha). O palco ficava a alguns centímetros do chão, e o público era posicionado sentado em cadeiras enfileiradas de frente para a banda, como uma sala - a sala Radamés Gnatalli.

Lembro que sai do meu estágio, no final da tarde, e fui com o Christian fazer a passagem de som. Tocamos “Boats are Burning” e algum outro cover, e o Christian, para minha satisfação pessoal, comentou que o meu solo era melhor que o do Cláudio (na verdade, o meu solo era mais planejado, pois compus basicamente nota por nota, deixando pouco espaço para improvisação, ao contrário do Cláudio, que debulhava as notas).

Éramos bastante confiantes a respeito das nossas músicas e do nosso som, e acreditávamos que a Burnin´ Boat era a atração principal da noite, e que as outras seriam as bandas de abertura. Só que fui percebendo que as pessoas que estavam ali eram, na verdade, amigos e familiares das bandas de abertura, de modo que o nosso show pouco importava. Assim, não era incomum que as pessoas debandassem no início da nossa apresentação, quando ouviam as primeiras notas das nossas guitarras distorcidas, o que me decepcionou um pouco, e posteriormente me fez pensar que melhor seria se apresentar primeiro, e deixar para outra banda fechar a noite. Até que tivéssemos um público nosso (o que jamais conseguimos fazer, conquanto eu tenha intuição que algumas pessoas gostavam do nosso som), o melhor seria reconhecer as nossas limitações e dar um jeito de tocar para o maior número de pessoas, que afinal não estavam ali para nos ver, e sim para ver as outras bandas.

Seja como for, tentávamos nos comportar o mais profissionalmente possível, obedecendo as orientações do Hernani e sendo sempre bastante tranqüilo e cuidadoso. Era evidente que essa atitude foi a que nos proporcionou todos esses shows com o Hernani, e pelo fato de não ter percebido isso na época, nunca tive a chance de agradecer aquelas oportunidades.

O repertório foi curto, tipo 40min. Não localizei nenhum registro visual dessa apresentação, de modo que fica complicado lembrar o repertório que tocamos. Provavelmente não deve diferir muito dos demais shows da época.

O Bruce e eu, com o Dioberto e mais um guitarrista e um baixista, voltaríamos à Sala Radamés Gnatalli para uma apresentação com a Bed Reputation, projeto paralelo que serviu para incorporar o Dioberto à Burnin´ Boat.

sexta-feira, agosto 15, 2008

7.º show - 2001 Bar João



Depois que assisti a um show da Hibria – banda de heavy metal com músicos muito técnicos, formada por ex-colegas de colégio – no Bar João, no final dos anos 1990 e antes da Burnin´ Boat tomar forma, tive uma certa noção do que Paul Stanley certa vez disse sobre assistir o Led Zeppelin no Madison Square Garden; a comparação provavelmente não é boa, mas, enfim, o guitarrista do Kiss disse que ao ver o Led teve aquela vontade misturada com um certo pressentimento do tipo “um dia vou tocar lá”. Pois então, se um dia conseguisse tocar no Bar João, seria um grande momento para se considerar, mesmo que brevemente, um rock star.

Valmor: Realmente há um valor muito grande neste show, no sentido de que quando alguém relelmbra o saudoso Bar João, a gente pode dizer "Tocamos lá!".

O Bar João era um local tradicional de encontro da galera que curtia som pesado. Se numa primeira época possa ter agregado punks, alternativos e outros, nos tempos mais recentes o público era de metaleiros, com roupas pretas e tudo mais. Assim, no show da Hibria, os caras estavam se despedindo do público de casa para uma temporada de apresentações na Europa, embora isso não tenha sido divulgado aos presentes (foi o Jorge quem me deu a letra). O local estava lotado e as pessoas muito excitadas, vibrando em todas as músicas, próprias e covers. Fiquei, então, com uma baita impressão positiva do Bar João como local para shows desse tipo, apesar de que fazer show num bar daquele tipo parecia improvável, pois o palco era apenas um local que dividia as mesas do bar da parte onde ficavam as mesas de sinuca, e os músicos e instrumentos ficavam ali espremidos.

Valmor: Vale lembrar a minha apreensão durante todo o set, pois a banda ficava sobre um tabladinho baixo, mas meu banquinho de bateria ficava no limite do fundo do palco, e eu achava que a qualquer momento seria protagonista de uma videocassetada (afinal estávamos filmando, como de praxe).

GILBERTO: Eu já tinha ido algumas vezes ao "João" e lá tocava aquela banda que era tipo um objetivo pra mim, em termos de reconhecimento, a "Crossfire" [nota do Guilherme: também lembro e curti muito esses shows da Crossfire]. Mas na noite em que fui tocar com a Burnin' Boat lá, lembro que rolou um sentimento de hesitação da minha parte, tipo quando os Blues Brothers entraram pra tocar num bar legitimamente country, em seu primeiro filme. Eu pensei "Mas esse palquinho vai ser muito pequeno pra nós" - pensamento típico do "perfomer" :-) e assim foi, não nos esbarrávamos, mas tbm não nos atrevíamos a nos mover muito.

A Burnin´ Boat, em 2001, já estava com sua formação clássica consolidada, e já havíamos nos apresentado algumas vezes. Acho que foi em setembro que surgiu a oportunidade de tocarmos no Bar João; sempre estimulei o Luciano, que freqüentava o Bar durante a semana, a tentar marcar um show para nós, e parece que o cara deixou um cd nosso com o dono do Bar, que pelo jeito não era muito acessível, mas aceitou nos deixar tocar.

Acredito que a idéia de divulgar o show como “hard rock de grátis” tenha sido do Bruce, e ele e o Luciano agilizaram um cartaz, que não estou certo de ter visto nos muros da cidade (não tenho nenhuma foto nesse sentido...). Efetivamente, não foi cobrado ingresso da platéia, e nem ganhamos nada com a apresentação. Para mim isso nunca foi dificuldade alguma, pois o meu móvel foi sempre o de tocar, em ensaio ou em show. A mim sempre pareceu estranho receber alguma remuneração pelos shows, pois nosso esquema não era muito profissional, e a gratuidade poderia desculpar algum amadorismo da nossa parte na execução das músicas, ou mesmo na apresentação em si (nunca fomos dos mais empolgados e empolgantes no palco). A idéia do “hard rock de grátis”, ao final, revelou-se frutífera e atingiu as expectativas, pois o público foi bom.

Naqueles tempos eu era colega de estágio do Christian, que me emprestou um pedal multi-efeitos da Zoom que ele tinha e tava querendo se desfazer. Utilizei em alguns ensaios, e em certa medida satisfeito com a distorção do aparelho, resolvi levar para o show.

Ensaiamos algumas músicas boas para esse show, e acho que foi a primeira (e talvez única) vez em que tocamos “Kill the King” do Rainbow. O Gilberto era um vocalista que o Bruce descobriu pela internet e logo se dedicou a um projeto com ele, pois o cara era um grande sujeito, tinha um gosto musical muito compatível com o nosso, e desempenhava bem no microfone. Eventualmente a esse projeto se somaram o Nílton, o Cláudio, o Bill e o Nedimar (por um tempo, depois substituído por um cara chamado Diego); era a Hard Times, e o som era bem diferente da Burnin´ Boat. Nunca fui muito simpático a essa idéia dos caras levarem paralelamente uma outra banda, sobretudo por envolver 3/5 da Burnin´ Boat, e a esse fato atribuí uma certa paralisia nas atividades da banda (parecia que as coisas, em nível de composições, só evoluia por iniciativa minha), e assim criei um certo desconforto com essa situação, mas devo admitir que os caras deviam se divertir bastante, conquanto não tenham levado essa banda a lugar algum (apenas ensaiavam, compunham umas músicas, mas não chegaram a tocar ao vivo). Seja como for, dessa banda saiu um relacionamento produtivo com o Gilberto, e não lembro exatamente como tivemos a idéia de chamá-lo para cantar uma música nesse show, e a escolha recaiu exatamente sobre “Kill the King” (não por acaso costumo me referir ao Gilberto como Dioberto, pois assim era o seu nickname no ICQ, e revelava toda a sua admiração pelo Ronnie James Dio).

Valmor: A grande anedota do Gilberto neste show é que o cara se empolgou um pouco demais na "Kill the KIng" e esqueceu de devolver o microfone para o Luciano, para ele completar o dueto. O cara ficou meio de cara com isso, e gerou bastante risada depois.

GILBERTO: Baita anedota, eu diria. Me senti super mal, depois, pois prezei e prezo o Luciano pra caralho, mas foi algo quase instintivo, afinal de contas era Rainbow tocando (com direito à emocionante intro típica dos shows daquela banda) e era eu no vocal. Aconteceu, foi acidental, pedi todas desculpas do mundo a todos - mas como se vê, entrou pra história da BB.

O show era no final da tarde (exatamente como o da Hibria, anos atrás) de um sábado (ou domingo?), de modo que chegamos ao Bar no meio da tarde para a passagem de som (não sem nos atrasarmos). Evidentemente que tocamos “Killl the King”, que é uma música mais complexa do que as que estávamos acostumados a tocar (se não pelo fato de que não estava tão bem ensaiada como deveria). Além dessa, tocamos (no show) “Burn”, “Highway Star” e possivelmente “Perfect Strangers” do Deep Purple, “The Tower” do Bruce Dickinson. Das próprias, me atrapalhei na parte limpa de “Black Dressing Soul”, pois não tinha treinado suficientemente a passagem da parte distorcida para a limpa (a fim de tocar o dedilhado), afinal estava com uma pedaleira que não era minha, e o lance não era tirar a distorção com um pisada, e sim diminuir o volume da guitarra no botão de volume. A Vanessa comentou que me achou nervoso, sobretudo por errar nessa parte. Realmente ficou feio, mas não foi nervosismo, e sim falta de treino.

Uma das idéias para o decorrer das apresentações era a de o Luciano introduzir o nosso cd e selecionar alguém da platéia para ganhar um de graça. Nesse show, o cara anunciou o cd e ofereceu para o primeiro que se manifestasse. Um conhecido meu (e colega em algumas cadeiras) da faculdade, que curtia as bandas que estávamos fazendo cover, e que estava de alguma forma aproveitando o show, pediu o cd, mas não foi tão rápido quanto uma mulher que estava bem na frente do palco, e que, conquanto tenha sido a primeira a levantar a mão, não parecia tão merecedora da nossa graciosidade. Seja como for, nosso cd era vendido a preço tão baixo (R$ 5,00 – cinco pila!), que muitas vezes eu me decepcionei com certas pessoas que não se disponibilizavam para adquirir o disco. Bem ou mal, esse cara (que estava presente no Bar desde a passagem de som), pelo menos, elogiou nosso repertório e apresentação, dizendo que tinha curtido a interação das guitarras, sobretudo em “Kill the King”.

Uma outra boa memória foi um comentário que a Sabrina fez depois do show; segundo ela, uma guria comentou que o seu namorado era meu fã (isto é, gostava das músicas que eu compunha). Entretanto, a Sabrina não soube precisar quem era a guria, muito menos o seu namorado, de modo que até hoje não sei quem é a pessoa, muito embora tenha algumas desconfianças (afinal, não são tantas as pessoas que curtem a banda...).

GILBERTO: Rico show, mandando ver boa música, em um lugar emblemático pruma platéia cheia de amigos. Tem algo melhor que isso?

Set-list: Burn, The Tower, Heartbreaking, Paranoid, Black Dressing Soul, Kill the King, Aunt Evil, Spectreman Theme, Boats are Burning, Snowblind, Hidden e Highway Star.



Desde 2003, aproximadamente, o Bar João está fechado, em decorrência de questões, digamos, extra-campo.

quinta-feira, agosto 07, 2008

6.º show - 09.08.2001 – Casa de Cultura - Sala Carlos Carvalho (com Glóbulo Azul e Crush)

Passamos quase um ano sem show. Mas não ficamos parados. No verão de 2001, finalizamos a gravação do cd e comprei uma guitarra nova legal (graças ao início do meu estágio remunerado). O Bruce tinha um contato com um cara (Hernani) que tinha uma escola de música (e que agenciava uns shows para os alunos se apresentarem), e assim conseguimos um espaço nesse esquema. Jamais imaginei que a Casa de Cultura Mário Quintana seria espaço para um show nosso, mas trata-se de um complexo com várias salas, numa das quais rolaria o show. O palco ficava ao nível do chão, pois afinal era uma sala para apresentações de teatro, e tinha, pois uma espécie de arquibancada para o público que ficava todo sentado de frente para a banda. A sala tinha um esquema de luzes, e foi o primeiro show com um sistema desse tipo.

Com o cd na mão, mais uma vez nos dedicamos a incrementar o set list, e inovar na nossa apresentação (na medida do possível). Assim, tentamos fazer algo mais estiloso: o Cláudio e eu tocamos de óculos escuros – os dois eram do Cláudio, e o Bruce fez backing vocal, mas acabou que não organizamos o esquema 100% e cada um vestiu-se do jeito que quis (o Bruce vestiu uma camiseta amarela, eu uma camisa branca comprada na C&A uma hora antes do show, o Nilton uma camisa de banda, o Luciano uma jaqueta de couro). Os óculos escuros me atrapalharam um pouco na hora da parte "twin guitar" harmonizada em "The Tower", pois não conseguia enxergar o braço da guitarra.

Legal que diversos conhecidos se fizeram presentes como o Giuliano, o Diego, o Jorge, uma chefe minha e duas colegas de estágio, o Daniel Ace Lairihoy, Minduim, Raquel, Vanessa e Fernando. O legal desse esquema com o Hernani era que não precisávamos nos preocupar com outra coisa que não a nossa própria apresentação. Das três bandas, o nosso seria o último show. O evento atraiu um bom público. E tocamos bem (nos atrapalhamos um pouco apenas na pequena "jam" com o riff de "Unchained", que soou um pouco deslocada e tal).

Acho que por volta dessa época, a MTV passava uns vídeos caseiros de bandas durante os comerciais, e provavelmente foi por aí que tivemos a idéia de filmar o ensaio com uma câmera estática.

Depoimento do Luciano: "hahahahaha esse show na casa de cultura foi muito legal... lembro que tocamos bem, fiquei bem satisfeito com nós mesmos, e foi divertido! Além disso o lugar tinha um bom camarim pras bandas, coisa que até hoje falta em muitos lugares :)".

Ensaio em 08.08.2001 (conteúdo: "Boats are Burning", "The Tower", "Sweet Thing", "Heartbreakin'", "Man on the Silver Mountain", "Noise Garden", chats, e "Black Dressing Soul").



Show em 09.08.2001 (set list: "Boats are Burning", "The Tower", "Sweet Thing", "Heartbreakin'", "Man on the Silver Mountain", "Noise Garden", "Black Dressing Soul" e "The Wicker Man").

quinta-feira, julho 31, 2008

5.º show - 28.09.2000 (?) – Garagem Hermética (com várias bandas)

Não lembro exatamente como surgiu o lance de tocarmos no Garagem Hermética. Esse local era um conhecido e tradicional ponto de encontro de públicos de gosto musical variado, com predominância, talvez, para a galera Famecos. Já tinha assistido ali a um show da Hibria com o vocalista antigo (que não sabia cantar “Tornado os Souls” do Megadeth, e quem subiu ao palco foi a Dige, irmã do baterista da banda), de modo que era uma grande honra tocar no mesmo lugar. O local havia sido reformado, e assim o palco estava montado do lado esquerdo de quem entra, a aproximadamente um metro de altura (no show da Hibria que eu tinha assistido, o palco ficava uns 20cm do solo, e se posicionava à direita de da entrada.

Depoimento inestimável do Valmor (Bruce): "Me lembro de estar bastante empolgado com este show, na lendária casa da Barros Cassal. Ainda hoje quando vou lá ver algum show, estranho o fato de o palco ter sido trocado de lado após incêndio. Então onde tocamos agora há um bar. Uma das minhas anedotas favoritas sobre esta noite é sobre o Bill, que viera de aula na PUC para curtir nosso show. O cara entrou no ônibus vazio, e logo depois entrou um cara com a maior cara de assaltante, passou a roleta e sentou ao lado dele. Num reflexo inexplicável, nosso amigo começou a se comportar feito autista, falando sozinho e se balançando e batendo a cabeça no vidro. Funcionou, pois a figura ameaçadora se assustou e foi sentar longe. "

Naquele dia tocariam diversas bandas (dentre as quais a banda do Nedimar e do Bill), de modo que o set list não poderia ser muito longo. Mesmo assim, preparamos diversas músicas, e dentre as novidades estava “Snowblind” do Black Sabbath, que tocaríamos em tom bem grave, e de certa forma dedicamos ao Felipinho, que era grande fã da banda de T. Iommi, e estava lá (e parece ter curtido). Além dessa, ensaiamos “Fool For Your Loving” do Whitesnake, na versão Steve Vai, o que me pareceu um pouco audacioso, pois se trata de uma versão de hard rock magnífica e de virtuosismo. Entretanto, acima de tudo estávamos entusiasmados com o Cláudio, que tirou o solo de Vai e executou, ao seu estilo, o mais próximo possível do original.

Valmor: "Pelo que recordo, tocou antes de nós uma banda de gurizada que executou um set list caótico que ia de Rush (muito mal tocado) até a música do "lacre azul do cachorrinho". Eu e o Filipinho ficávamos gritando bobagens nonsense durante o show dos caras. Eram 4 bandas no total (ou 5, não lembro bem), e ainda tocaria depois de nós uma banda instrumental (o Bill conhecia os caras) e no fim a Atrack."

Esse foi um show estranho; tenho poucas recordações dos momentos anteriores (sei que foi pouco depois do meu aniversário), e acho que não estava nervoso. Queríamos tocar “Noise Garden”, e diante do fato de que essa exigia a guitarra afinada em dropped-D, preparamos guitarras reservas para trocar durante o show. Só que quando acabamos uma música e trocamos as guitarras para tocar “Noise Garden” parece que deu a impressão do show ter terminado. Vi que um cara da banda que tocaria em seguida começou a pedir pelo fim da apresentação. O sujeito ficou acenando bastante e aquilo me irritou profundamente, pois ainda tínhamos mais algumas músicas. Após alguns momentos de impasse (“continuamos ou saímos”), tocamos “Noise Garden”, e durante a execução eu comecei a aumentar o volume do amplificador, toda vez que via aquele cara encher o saco. Sabíamos que aquela seria a última música, e estava tão furioso que queria ficar tocando aquela música durante horas (poderia ficar solando infinitamente, porque a música se presta para improvisações nesse momento), e realmente fiz muito barulho para tornar o som o mais insuportável possível. Por fim acabamos a música e começamos a desmontar o equipamento. Por um instante cogitei de cortar o fio do amplificador com meu alicate, mas sabia que isso poderia causar tumulto e resolvi me conter. Não é da minha índole arruinar um evento por causa de um babaca. Sei que não fiquei pra ver as outras bandas e fui embora com a Sabrina.

O Bruce também teve essa impressão, de que o show foi detestável.

Valmor: "Este show me deixou com uma das impressões mais paradoxais. Em termos de performance, lembro que fomos impecáveis, tocando todas as músicas com ótima pegada. Só que o público foi geladíssimo (lembro que quando oferecemos um CD demo de graça como de praxe ninguém se agilizou pra pegar) e ainda por cima, perto do fim do set o cara da banda seguinte começou a chatear para terminarmos. Descontentes, descarregamos nossa revolta em uma extended version de "Noise Garden", com muita barulheira no fim, espancando os instrumentos. Dada a incomodação, acabamos indo embora bem rápido, ao contrário de permanecermos curtindo mais um pouco os shows, como de costume."

Depoimento do Nílton: "Bom, na realidade não me lembro muito bem do show, exceto de que o Guilherme havia se estranhado com um rapazote da outra banda... Pra variar lembro que o palco era apertado e eu sempre tinha que ficar ou de lado ou atrás de alguém (no bom sentido). Não sei se foi nesse ou em algum outro que eu estava tentando fazer uns backs e aí tentava me concentrar para conseguir utilizar minhas duas metades do cérebro. Depois de um tempo eu percebi que não tinha a habilidade necessária para tanto. Gostei do palco ser alto e tal, mas realmente, o público não estava ajudando, até porque havia muitas bandas com estilos diferentes e tal. Esse tipo de evento que junta muita gente com gostos diferentes não dá certo, como as bandas que utilizam a incrível técnica de cantar para dentro juntamente com os gurizinhos que ficam masturbando os instrumentos para mostrar que são virtuosos... Fora o conflito de idades... nós éramos um pouco mais velhos que o público do local e a maioria do pessoal, eu acho, era fã de punk rock. É o que me lembro."

quinta-feira, julho 24, 2008

4.ª show - 29.08.2000 – Festival de Talentos PUCRS (com várias bandas)

Poucos dias depois do show no Heaven Café, nos encontramos na PUCRS para uma apresentação curta no Festival de Talentos de 2000 (tão logo foi anunciado o evento, inscrevi a banda - não lembro se era necessário entregar fita com amostra do som, exigência que se faria presente no ano seguinte). Os shows se dariam no reformado auditório do prédio da arquitetura (antigo prédio do direito), e fomos escalados para o primeiro dia, uma terça-feira. O Fernando, que era meu colega numa cadeira da faculdade, e o Giuliano apareceram para nos ver.

Antes de subirmos ao palco, assistimos do lado de fora várias apresentações de todo o tipo, afinal, num Festival de Talentos tem de tudo (reagge, MPB, punk, etc.). O esquema era basicamente igual ao nosso primeiro show: tocar por 15 minutos. Assim, não lembro exatamente como nem porque, mas elegemos “Heartbreakin´”, “Kiss of Death” do Dokken, e “Boats are Burning” – deu tempo, ainda, para “Spectreman”. Arruinei a execução de "Heartbreakin´", pois estava com a guitarra desafinada (o Giuliano percebeu e comentou depois), e a saída foi deixar a minha guitarra mais baixo que a do Cláudio. Com a afinação correta, tocamos as outras faixas de forma bem acelerada. Tempos depois vi que tinha um site da Famecos sobre o evento, e tinha disponível uma mini-entrevista com o Luciano e um mp3 de “Boats are Burning” e, nossa, como tocamos rápido essa (é espantoso como conseguimos nos acompanhar com tanta correria).

Assim como no Heaven Café, subi ao palco com o chapéu “Blackmore”, que caiu durante o solo do Cláudio no cover do Dokken. O lance todo foi muito rápido; quando já estava me sentindo confortável e com vontade de tocar, acabou. Em seguida estávamos do lado de fora batendo papo com o Minduim (que filmou a apresentação), o Giulia, a Sabrina, a Raquel, a Vanessa (acho) e o Pedro (acho), tirando sarro de algumas bandas que vieram depois, e tal. Se o show não foi dos melhores, pelo menos nos divertimos bastante.

Depoimento do Valmor (também conhecido como Bruce em todos os posts sobre a Burnin´ Boat): "Uma das grandes rateadas históricas foi não termos catado com o Christian Satã a gravação direto da mesa deste show, de onde tiraram aquela mp3 de "Boats Are Burnin'". Executamos as músicas com muita velocidade, e lembro de "Heartbreakin'" ter rolado com certa insegurança (talvez a bateria estivesse "andando"). Não surpreende que tenhamos executado 4 faixas". Não foi por esta época que fizemos aquele ensaio no Brothers onde tocamos "The Tower" e outras?"

Seguem os clips de "Kiss of Death", "Boats are Burning" e "Spectreman".