A mim parece que o Nilton já não estava mais na banda quando surgiu a oportunidade para mais um show, dessa vez no Coruja de Minerva, uma espécie de Guion (sem os cinemas) perto do Estádio Olímpico. Tocaríamos no Kant Bar. O Bruce se encarregou de fazer a divulgação, inclusive com um press release divulgado em site e no Whiplash, mas não houve cartazes pela cidade, nem flyers, nem inserção de qualquer espécie, de modo que tendo o show sido realizado no final de tarde de um domingo ensolarado, num local desconhecido, não houve condições de reunir público significativo.
Os contatos com o Vinícius estavam mais fortes, e dessa vez o cara, além de tocar uma música conosco, se apresentaria com a sua banda Hileia, da qual sabíamos que podíamos esperar muita técnica nos instrumentos. A nossa apresentação na Croco certamente teve algum efeito positivo sobre certas pessoas, dentre as quais o próprio Vinicius que revelou ao Bruce a vontade de tocar uma das nossas composições próprias; mas num incrível erro de comunicação, o Bruce entendeu que a música que o Vinícius curtira era “Hidden”, quando na verdade se tratava de “Ace´s High”.
Sem o Nilton, portanto, contaríamos mais uma vez com o Luis Carlos, o que era bom de certa maneira pois o cara é tão divertido quanto, e toca baixo com competência. Realmente fiquei muito satisfeito com a disponibilidade dele, e a sua vontade de tocar, além dos constantes elogios que ele fazia ao nosso som próprio (certa vez ele disse que o riff de “Heal My Soul” era viciante, e isso me alegrou imensamente). O Luis Carlos também tinha uma formação bem diferente; o cara era fã de hard rock farofa, e tinha bons conhecimentos sobre heavy metal tradicional, de modo que naturalmente tocamos e incorporamos “For Whom the Bell Tolls”, do Metallica, ao set list, além de “Crazy Train” do Ozzy Osbourne.
A resenha que eu fiz na época para o meu blog é a que segue:
“O local do show tem nome inusitado, mas se trata de um centro comercial no estilo do Guion (mal comparando), com vários bares com sinuca, salas de musculação, tatuagem e até uma com parede para prática de "alpinismo". O lugar é decente, perto do Estádio Olímpico, e tem uma parada de ônibus bem na frente (vimos várias linhas de ônibus e lotação passando por ali). Mas o horário, o belo tempo que fez neste domingo, e a distância em relação ao Centro e ao Bom Fim, afugentaram o público. De minha parte, fiquei honrado pelas presenças qualificadas do André e do Dieter.
Encontramo-nos diretamente no local às 16h (o show estava previsto para 18h). Como a nossa seria a primeira banda, fizemos a passagem de som por último. Tocamos apenas a metade de HIDDEN com o Vinícius. Rolou, após, uma pequena jam (alguns riffs nossos) entre eu, Bruce e Márcio (guitarrista da Hiléia). O show começou pouco depois das 19h.
O set-list foi tacitamente determinado por mim, em atenção às trocas de afinações e à participação do Vinícius: ACE´S HIGH, BLACK DRESSING SOUL, NOISE GARDEN, HEAL MY SOUL, CRAZY TRAIN, FOR WHOM THE BELL TOLLS, HIDDEN e PERFECT STRANGERS - e SPECTREMAN. De modo geral, a execução das músicas foi boa. Rolou alguma empolgação em ACE´S HIGH (por ser a primeira, e por ser boa). Aparentemente, segundo o Bruce ao final do show, era essa que o Vinícius havia pedido para tocar; mas, em razão de uma falha na comunicação entre os dois, acabou tocando em HIDDEN. CRAZY TRAIN, como era de se esperar, foi outra que empolgou (um dos presentes posicionou-se bem a frente do Cláudio na hora do solo).
A participação do Vinícius, mais uma vez, foi muito boa. Ele, efetivamente, tirou os riffs de HIDDEN e ainda solou naquela parte lenta da versão de estúdio, que não tocávamos há bastante tempo, e que foi resgatada exclusivamente para esse show. PERFECT STRANGERS foi perfeita - é daquelas extremamente chatas de tocar nos ensaios, só com as guitarras, mas altamente compensadoras quando executadas ao vivo, com o acréscimo dos teclados.
Em seguida subiu ao palco a Hiléia. Todos os integrantes possuem invejável técnica. Abriram com ANOTHER DIMENSION do Liquid Tension Experiment, tocaram um pouco do riff de AS I AM do Dream Theater e emendaram com uma composição própria (THE WORST DAY OF YOUR LIFE), se não estou enganado. Mas o melhor momento da noite, para mim, foi quando eles tocaram EROTOMANIA do Dream Theater. É, seguramente, o melhor instrumental do DT, que exige muito do guitarrista. E o Márcio, que confidenciou que a banda não havia ensaiado para o show, desempenhou brilhantemente o papel de John Petrucci - o cara tem uma palhetada muito boa, e é muito ágil na mão esquerda. Sem contar que alcançou timbres decentes da pedaleira Digitech 7 (eu tenho a 6, e não uso mais). Rolou um cover de MASTER OF PUPPETS. Quando deram por encerrado o show, exigimos que tocassem um Rush. Luke sugeriu YYZ, que foi perfeitamente executada.
A Silent Storm fechou com vários covers de clássicos do metal e uma composição própria (bem melhor que Gamma Ray). Abriram com KILL THE KING do Megadeth (bela música). Em geral as execuções foram bem aceleradas - mas não vejo nada de errado nisso, pois acabou até sendo positivo, uma vez que reprisaram FOR WHOM THE BELL TOLLS e MASTER OF PUPPETS. Tocaram um Iced Earth que é muito bom (não lembro o nome da música), um Iron (TRANSYLVANIA), outro Metallica (SEEK AND DESTROY), e outro Megadeth (SYMPHONY OF DESTRUCTION). O guitarrista solo tem boa técnica, mas o timbre não ajudou. O Luke mandou bem no baixo e nos vocais (é afinado, e compensa alguma falta de alcance da voz com uma presença de palco altamente carismática - o lance do "Concurso garota Silent Storm" foi hilário).
De modo geral, considerei positivo o show, pois não houve problemas com o som (que muitas vezes esteve bem alto) e nem com a organização. A falta de público é mesmo um problema crônico, que só será resolvido quando se fizer propaganda mais agressiva, como cartazes nas ruas, inserções nas rádios e até apresentação em programas tipo Radar e aquele da TV COM, além de consolidar o Coruja de Minerva (que nome!) como local para shows de som pesado.”
Pouco depois desse show, fizemos mais três ensaios no final de 2004, todos eles com o Luis Carlos no baixo, e apenas o primeiro com o Cláudio na guitarra. Resolvemos baixar a afinação das guitarras em um tom, que era uma tendência já revelada há algum tempo. Esses ensaios foram totalmente descompromissados, e no segundo deles tivemos a oportunidade de fazer um dos mais divertidos de todos os tempos, no qual o Bruce, eu, o Luis Carlos e o Luciano (além do Sebastian, dono do estúdio), fizemos covers de uma porção de músicas de várias bandas diferentes. Após o terceiro ensaio, resolvi não agendar o próximo encontro, pois não queria me vincular naquele final de ano. Mal sabia eu que aquele seria o nosso último encontro antes de tocarmos mais uma vez um ano depois, em janeiro de 2006.
Em 2005, cada um foi para um lado. O Cláudio arranjou um belo trabalho na Finlândia, e assim passaria 2006 fora do Brasil. Em janeiro de 2006 resolvemos fazer um ensaio de despedida, e assim nos reunimos com o Gilberto e o Luciano nos vocais, além do Nilton no baixo.
Apenas em março de 2007 o Bruce e eu voltamos a nos reunir para uma sessão de gravações, na qual registramos algumas músicas há tempo compostas (“Sluts of Justice”, “Heal my Soul”), revitalizamos um bom riff (“Oblivious”) e ainda juntamos idéias em torno de um dedilhado estilo Opeth que havia criado no final de 2004 (que o Bruce denominou de “Hollow”). De todas a melhor é essa última, e a sua criação foi bastante inusitada e o resultado foi bem satisfatório. Apesar do meu plano de fazer esse tipo de sessão uma atividade mensal, acabei sucumbindo a outros afazeres inadiáveis, de modo que mais uma vez a banda ficou inativa.
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domingo, outubro 12, 2008
segunda-feira, outubro 06, 2008
13.º show - 12.08.2004 Croco
Depois do show do Arsenal, o Nilton, o Cláudio e eu chegamos a ir na casa do Bruce, em junho/2004, para fazer umas gravações caseiras dos riffs e músicas novas. Pegamos emprestada a pedaleira Boss do Cláudio que permitia baixar a afinação sem precisar altera qualquer coisa na guitarra; ficamos empolgados com essa liberdade e com o peso proporcionado por afinações bem graves, e gravamos as coisas vários tons abaixo (6.ª corda em B).Com a volta do Luciano (afastado por um ano para um período de aprendizagem nos Estados Unidos), acertamos que ele e o Gilberto seriam os vocalistas da Burnin´ Boat, tentando recriar o clima muito bom do show do Teatro de Câmara em 2002, e ainda imitar de certa forma o que o Deep Purple fez com David Coverdale e Glenn Hughes. Para mim foi a solução ideal ter os dois vocalistas, pois acho que a banda não poderia prescindir de nenhum. Só que por alguma razão o Luciano não curtiu a experiência no Arsenal e convocou uma reunião de todos para que deliberássemos, afinal, quem seria o vocalista da Burnin´ Boat. O encontro se deu no Cavanha´s da R. Lima e Silva, e a experiência foi muito proveitosa, pois apesar do assunto espinhoso, ficamos com a sensação de que aquele tipo de conversa em volta de uma mesa de bar era muito legal e fazia falta na nossa banda. Conquanto eu estivesse meio atordoado e confuso com a decisão a ser tomada, o Bruce e eu ponderamos que deveríamos nos valer de um critério objetivo, no caso, o do “tempo de serviço”. Independentemente das nossas opiniões pessoais (cada um tinha uma...), achei justo que a decisão se baseasse num critério desse tipo, pois não estava disposto a comprar briga com quem quer que fosse. O Luciano, ademais, no meio da conversa, lançou um argumento que achei significativo: no tempo em que ele ficou de fora, não progredimos nada, isto é, não fizemos shows, nem compusemos significativamente músicas novas, nem estabelecemos uma rotina regular de ensaios. Não lembro de terem o Nilton e o Cláudio se manifestado dando alguma preferência. Então, no final da conversa, que aparentemente transcorreu numa boa e sem ressentimentos, ficou deliberado que o Luciano estava de volta e seria o único vocalista da Burnin´ Boat.
Pouco tempo depois surgiu a chance de fazermos mais um show, desta vez na Croco, localizada na R. 24 de Outubro. Inicialmente, o Cláudio e o Nílton estariam indisponíveis para a data, de modo que repetiríamos a experiência do Teatro de Câmara, na qual eu fui o único guitarrista, e teríamos o Luis Carlos como baixista. Nessas condições, o set list teria que ser curto, mas as músicas seriam pesadas.
O show contou com divulgação interessante, mediante flyers e até uma inserção no caderno de variedades de um jornal local (sempre quis que aparecesse algo do tipo, pois costumava conferir ali quais as bandas tocariam em determinado dia). Assim, o público foi muito bom, talvez o melhor de todos os shows.Com apenas um ensaio de antecedência, tivemos o ingresso do Cláudio, que eventualmente se tornou disponível. Ajustamos duas participações especiais: Vinícuis, nos teclados, para três músicas, e Cris, no vocal, para cantar um trecho de “As I Am” do Dream Theater, no meio de “Hidden”.
O show foi memorável e isso ficou expresso na resenha que fiz para o este blog:
“Seguramente, este foi o melhor show da história da BURNIN´ BOAT. Vivenciamos aquele tipo de noite em que TUDO deu certo; realmente, uma noite memorável.

A passagem de som estava marcada para as 18h; chegamos lá depois das 20h, e a bateria recém estava sendo ajeitada. Passamos o som primeiro, pois estávamos todos lá (com exceção do Luciano): a 1.ª banda da noite, Ultrasônica só chegou na hora do show, e a 3.ª banda, Coyote Junkie estava dispersa.
Na passagem, iniciamos tocando ACE´S HIGH. Eu utilizei o ampli Fender Princeton, com sua própria distorção - decisão acertadíssima - e o Cláudio usou o Behringer V-Amp 2 , que todas as revistas de guitarra nacionais consagram como o melhor simulador de amplificadores e efeitos do mercado. Conforme o próprio Cláudio, esse simulador não é tão bom assim, "nada supera um bom amplificador".

Efetuados ajustes, tocamos PERFECT STRANGERS, já com Vinícius nos teclados. Foi uma versão majestosa, todos perfeitamente afinados, e os presentes se entusiasmaram bastante. Seguimos, então, com AS I AM (duas vezes).
Os shows, propriamente, só começaram às 0h, e assim ficamos um tempão batendo papo. A Ultrasônica (que no flyer era definida como do estilo "hard pop") tinha bons músicos (destaque para o baixista e para a Ibanez Jem branca de um dos guitarristas). Abriram com LIKE A STONE, apresentaram composições próprias (que não foram do meu agrado - mas respeitei bastante o fato de que eles baixaram a afinação da sexta corda para D), e fizeram uns covers muito bons de Foo Fighters entre outros. Fecharam com KILLING IN THE NAME do Rage Agains the Machine, que ficou muito legal e empolgou a galera. Aliás, a presença do público, surpreendentemente, foi muito boa.
Enquanto nos arrumávamos para assumir o palco, tocou no som mecânico belas músicas: ROAD TO HELL, LONG LIVE ROCK´N´ROLL, entre outras.
Nosso set list foi inteiro apresentado corrido, com pequenas pausas entre as músicas. Foi uma estratégia espontânea e certeira - não demos descanso aos ouvidos de ninguém. A afinação em D ficou com peso e vigor na medida. O público reagiu bem a todas as nossas músicas, mas teve algumas que a empolgação foi geral.
ACE´S HIGH se confirmou como uma ótima escolha para abrir shows. Em seguida puxei NOISE GARDEN, cujo riff principal fica otimizado pela afinação. Rolou algum alvoroço do público, que balançou a cabeça no ritmo cadenciado da música. BLACK DRESSING SOUL ficou boa também. A essas alturas eu já não ouvia mais o baixo do Luís Carlos e a guitarra do Cláudio, mas tenho convicção de que mandaram muito bem. Sem ouvi-los, o jeito foi confiar no instinto e na bateria do Bruce e seguir adiante.
Fizemos uma ótima versão para HIDDEN. Dessa vez, eu senti aquele riff inicial melhor do que nunca. No meio da música, naquela parada, fizemos o trecho AS I AM do último do Dream Theater. Vinícius e Cris assumiram teclado e vocal, e a música ficou muito bem executada. Nesta a galera se empolgou também. A meu juízo, é o tipo de música que é mais legal de tocar do que de ouvir no cd.
Vinícius, então, fez a clássica introdução de PERFECT STRANGERS, e ali eu percebi que a sensação de tocar com o cara é o mais próximo do que se pode chegar à sensação de tocar com o próprio Jon Lord ou Don Airey. O Luís Carlos referiu que se arrepiou nessa introdução; e não é sem razão. Eu não me arrepiei, mas tremi-a-perninha nessa (e em todas as músicas do set list). A execução foi brilhante, e causou comoção na galera. E o teclado fez toda a diferença, pois nos ensaios, só com as guitarras, a música perde bastante o brilho.

Pausa para anunciar o show da banda do Vinícius - Hiléia - no dia 21/08. Não há dúvidas de que o cara é o MVP de qualquer show, de modo que a apresentação da Hiléia, com músicas próprias e covers de Dream Theater, é bastante aguardada. O Henrique, responsável pelas (belas) fotos do show, não perdeu tempo e gritou SPECTREMAN.
A galera pediu mais Deep Purple - teve quem gritou BURN. E seguimos exatamente com essa, que ficou uma bala. Mais uma vez o Vinícius tocou o solo do Blackmore; e o Cláudio, o do Jon Lord. Finalizamos com HUNTING HIGH AND LOW.
O cara da mesa de som já estava prestes a colocar o som mecânico, quando puxei SPECTREMAN. A música não tinha sido ensaiada com o Luís Carlos, por isso não estava prevista. Mas, realmente, não podia faltar. E tocamos assim mesmo. O Lukee tentou acompanhar - não deu muito certo - mas o importante mesmo era tocar. Risos por toda parte. Aí sim, acabamos a apresentação, e o cara da mesa botou MAN IN THE BOX no som mecânico - coincidentemente, é a música que eu venho palpitando para tocar nos shows.
A Coyote Junkie fez uma bela apresentação, só com covers de rock. Os caras estavam muito bem ensaiados, e tinham um guitarrista muito bom, com pentatônicas certeiras. O vocalista eu também curti, deu conta de alcançar o timbre de Brian Johnson e Axl Rose em músicas difíceis como BACK IN BLACK, WELCOME TO THE JUNGLE, entre outras. Rolou até JAILBREAK do AC/DC, que foi a música que me impulsionou para o hard rock/metal em 1993.
Os melhores comentários do show quem ouviu foi o Cláudio. Um dos guitarristas da 1.ª banda (Ultrasônica) achou que a nossa afinação era em B, porque segundo ele "eu toco em D, mas não fica assim tão pesado"; perguntou também se a Cris era da banda, referindo que ela tinha se apresentado bem. Eu, particularmente, fiquei bastante satisfeito com os comentários elogiosos sobre as composições próprias e ao peso das guitarras. De fato, foi uma noite memorável em que tudo deu certo.”
Resenhas dos ensaios até este show:
1) 07.08.2004 - Improvisando
2) 10.08.2004 - Cafezes
3) 12.08.2004 - Na hora a gente acerta
segunda-feira, setembro 29, 2008
12.º show - 22.05.2004 Arsenal Pub
Após o show do Guanabara, voltamos a ficar meses só ensaiando eu e o Bruce, mas com freqüência cada vez menor. A partir do feriado de finados de 2003, cada vez mais eu me comprometi com o trabalho, e optei por abandonar a tarefa de empurrar a Burnin´ Boat para frente (afinal, ninguém mais parecia estar se importando).Ponto positivo do show do Guanabara foi o contato que o Bruce manteve com o baixista da Silent Storm, o Luis Carlos (Lukee), um excelente sujeito com o qual o Bruce se encontrou na fila do show do Deep Purple. A partir daí, esse encontro frutificou em uma participação crescente do Luis Carlos em todos os projetos conhecidos do Bruce, e, eventualmente, até na Burnin´ Boat.
Ficamos sem ensaiar desde outubro de 2003 até maio de 2004, e só voltamos porque havia sido agendado um show no Arsenal em comemoração ao aniversário do Gilberto. O cara reservou o local e organizou a apresentação de duas bandas que ele estava conduzindo na época (Burnin´ Boat e uma outra de covers, a Firewall), além do primeiro projeto que tenho notícia envolvendo a então namorada (e futura esposa) do Bruce, a Cris. Nunca tinha reparado no Arsenal, na Av. Goethe, muito menos poderia imaginar que ali teria uma casa para abrigar shows, pois se trata de uma conhecida região que concentra bares com freqüência noturna.
O pai do Bruce já estava utilizando regularmente o nosso local de ensaios (o nosso “estúdio”), e então começamos a praticar em estúdios de verdade.O Luciano havia feito uma viagem de vários meses para os Estados Unidos, e assim efetivamos o Gilberto como vocalista. Quando o Luciano voltou, pedimos para o cara fazer uma participação cantando algumas músicas.
Em relação ao set list, incorporamos uma música majestosa do Black Sabbath (“War Pigs”), e uma que toda banda cover do Iron Maiden toca (“The Evil That Men Do”), além de uma que é de uma banda que eu sempre gostei, mas não é do estilo da Burnin´ Boat (“Hunting High and Low” do Stratovarius). De última hora, para esse show, conseguimos o acréscimo do Vinícius, um tecladista excepcional que o Bruce (como sempre) conheceu pela internet, para tocar na música do Stratovarius e em “Perfect Strangers” do Deep Purple.Foi a seguinte a resenha que escrevi sobre o show para neste blog:
“foi uma noite boa, na qual tudo deu certo. O local é pequeno, mas com boa acústica (não precisamos aumentar muito o volume dos amplis pra tomar conta do bar), e teve bom público. Além de presenças consagradas em shows da Burnin´ Boat – notadamente, Fernando & Vanessa, Ace e Minduim - , o show de sábado ainda foi acompanhado pelo grande Barboza (com qualificadas presenças femininas, que agitaram todo o show da banda do Dioberto – Firewall). A passagem de som, que rolaria às 21:00, na verdade, só ocorreu quase duas horas depois. Tocamos, então, HIGHWAY STAR e WAR PIGS.
Quem se apresentou primeiro foi o projeto capitaneado pelo Bruce, Insight, com versões acústicas de Evanescence, Mr. Big, Christina Aguilera, entre outros. Em seguida, “subiu” ao palco a banda do Dioberto (com Nílton no baixo) – Firewall – com introdução erudita (CARMINA BURANA), apresentando covers clássicos, empolgantes e, sobretudo, infalíveis: YOU GIVE LOVE A BAD NAME, IT´S MY LIFE, COCHISE foram as melhores – teve ainda ROCKIN IN THE FREE WORLD, LIKE A STONE, SMOKE ON THE WATER, ROCK AND ROLL ALL NITE, PLUSH, uma do Pearl Jam que não lembro o nome agora. A banda melhorou consideravelmente em relação ao outro show que eu tinha assistido antes (no aniversário do Dioberto do ano passado, no Guanabara) – estavam todos bem entrosados e ensaiados. Os guitarristas se valeram de invejáveis instrumentos – um com uma Ibanez preta modelo Steve Vai, e outro com uma Ibanez branca modelo Paul Gilbert. O Nílton esteve seguro como sempre, sem deixar de fazer palhaçadas durante todo o set. O Dioberto igualmente esteve bem, até na exigente COCHISE.
A essas alturas eu já estava desolado, pois havia assistido duas bandas tocando repertórios conhecidos, e muito bem ensaiadas. O público do local (pelo menos o pessoal que estava na parte de baixo) não era “metal”, e eu já estava prevendo as pessoas indo embora no meio do nosso show. Ademais, o show só começaria à 1h da manhã, e neste horário, depois de duas (boas) apresentações, realmente, é demasiado acreditar que as pessoas ainda vão ter pique de assistir uma banda tocando um som desconhecido e pesado até o final. Particularmente, prefiro ser uma das bandas intermediárias (mas essa parece ser uma opinião só minha).
Em todo o caso, o show foi um dos melhores da banda. Tocamos o set com erros pequenos, que não atrapalharam o andamento das músicas (eu estava preocupado com WAR PIGS e o começo THE EVIL THAT MEN DO, que não estavam suficientemente bem ensaiadas). Abrimos, então, com WAR PIGS, e fomos bem. Seguimos com BLACK DRESSING SOUL, que teve um belo solo do Cláudio. Essa música ficou bem pesada, e está cada vez mais legal de tocar (realmente acho que foi uma dentro botar a guitar pra acompanhar o baixo nos versos). THE EVIL THAT MEN DO ficou bem empolgante (pra mim, pelo menos). O Cláudio fez o início sozinho, como havíamos combinado pouco antes do show.
Partimos, então, para a afinação dropped-D: NOISE GARDEN ficou muito legal, com peso e andamento perfeitos.
Havíamos combinado, previamente, com o Luciano Gillan que ele cantaria no show duas músicas: ACE´S HIGH e AUNT EVIL (as quais o Dioberto ainda não aprendeu as letras). Só que no momento de tocar HIDDEN, o Dioberto acabou chamando o Gillan ao palco, causando algum tumulto. Tentamos (eu e o Bruce), consertar a situação, pedindo para o Gillan cantar HIDDEN, e depois as outras duas combinadas; só que o Gillan revelou alguma resistência (provavelmente pelo estado etílico), e acabamos tocando ACE´S HIGH mesmo, que ficou muito legal (naquele momento eu toquei o riff de abertura com todo o vigor). Das músicas “novas” (assim entendidas aquelas que não estão no cd “Ignitin´”) essa é a minha favorita.
Ainda incertos quanto a ordem do set, tocamos HIDDEN, pois o Gillan acabou concordando em cantar essa. Mas aí o Dioberto voltou ao palco, e dividiram o vocal. Rolou tudo certo na jam do meio da música: riff White Stripes e o início de THE NUMBER OF THE BEAST (erramos comicamente o final). Essa versão de HIDDEN, na qual o Bruce muda o clima da música - ora aceleradíssimo, no estilo Lars Ulrich dos primeiros discos & St. Anger, ora stoner, somando-se a isso o refrão mais calmo tipo em algumas do System of a Down, onde há mudança brusca de andamento – é realmente bem interessante, e muito pesada.
Novamente só com o Gillan tocamos AUNT EVIL, que eu curti bastante. Acho que isso tudo mostra que o Luciano não perdeu o entrosamento que sempre tivemos (eu, ele e o Bruce), e tudo sempre dará certo quando todos lembrarem de suas partes nas músicas – ensaios são até desnecessários quando todos conhecem bem as músicas. Tanto é que ele cantou essas três sem nenhum ensaio, e se saiu bem.
De volta à afinação normal, tivemos o acréscimo qualificadíssimo do tecladista Vinícius (da banda Worldengine do Bruce), que se mostrou um verdadeiro Jordan Ruddess (tanto musicalmente, quanto na performance). Tocamos, então, BURN. Abdiquei do meu solo em seu favor, causando uma inusitada situação: o tecladista tocou o solo do Blackmore e o guitarrista, o do Jon Lord. Quem nos conhece sabe que isso é perfeitamente explicável. Em seguida tocamos HUNTING HIGH AND LOW, que ficou bem legal – achei muito melhor com o teclado acompanhando aquele riffzinho do começo. Nessas duas músicas eu me senti bastante seguro com o tecladista, o que sempre acontece quando há um músico de exceção tocando ao lado.
Já exausto (e com forte dor de cabeça), deixei o palco para os outros fazerem a jam que entendessem devida. PERFECT STRANGERS ficou muito boa. Tocaram várias ainda: WASTING LOVE, THE TOWER (com o Gillan), entre outras. Mesmo assim, fiquei até o final, pois meu equipamento havia sido requisitado e deveria estar lá disponível para quem quisesse tocar. O Dioberto, que havia orquestrado a jam, saiu logo no começo, o que me causou espécie. Certamente, um dos melhores momentos da jam foi CONFORTABLY NUMB, e gostei da hora em que o Nilton cantou alguns versos. A música teve dois solos de guitar: no primeiro, Cláudio se mostrou hesitante (acho que não era esse o solo que ele costumava tocar na Hard Times, ou outra banda/projeto em que esteve envolvido), mas no segundo solo ele tocou com firmeza e até algum feeling.
Foi uma bela noite, e agradeço a todos os que se fizeram presentes, especialmente ao grande Barboza (e suas alegres amigas – têm que levar elas em todos os shows!), e à Vanessa, que tomou conta da minha máquina para as fotos (só que a máquina não está comigo: ou não me foi devolvida – o que eu espero tenha ocorrido; quero crer que ela está segura nas mãos da Vanessa/Fernando/algum conhecido - , ou ficou esquecida no local, caso não tenha sido encontrada pelo Bruce). Burn the boats! “
Resenhas dos ensaios até este show:
1) 02.10.2003 - Dupla de dois
2) 16.10.2003 - We jam at night
3) 08.05.2004 - And then we were 5
4) 12.05.2004 - Café da manhã no estúdio (e com chuva)
5) 19.05.2004 - O último antes do show
segunda-feira, setembro 22, 2008
11.º show - 13/09/2003 Guanabara Bar
Em 2003 eu já estava formado e logo passei a me preocupar com o exame para entrar na ordem, e após ingressar no mercado de trabalho. Conseqüentemente, a banda passou para um segundo plano de preocupações, e foi o começo da dispersão de todos. Mesmo assim, ainda mantínhamos contato e ensaiávamos com regularidade, na medida do possível. A partir de julho de 2003, passei a manter um blog, no qual mantive anotações dos ensaios e dos shows que viriam.Nessa época o Metallica recém havia lançado o controvertido cd “St. Anger”. Não ouvi o cd tanto quando deveria, mas foi o suficiente para receber certa influência no nosso jeito de tocar. O Bruce também ouviu e curtiu o cd, e teve idéias para modificar a execução de algumas músicas. O maior exemplo disso foi “Hidden”, que ficou mais brutalizada, especialmente nos versos (o Bruce se puxou na levada à la Ulrich). No refrão, o baterista sugeriu que baixássemos o volume e tocássemos no estilo System of a Down, e assim a influência new metal estava, de certa forma, consolidada. Essa versão passou a ser aperfeiçoada e desde então tocamos “Hidden” desse jeito, bastante diferente da versão gravada no cd.
Sempre gostei de tocar com afinação dropped-D, mas nessa época incrementamos a utilização dessa afinação alternativa, que conduziu a jams muito legais. Vários riffs bons foram compostos nessas ocasiões, mas infelizmente não pudemos nos concentrar neles o suficiente para produzir canções novas. Uma exceção foi um riff meio parecido com um do Van Halen (numa música que apareceu no “Best of” como nova composição com Sammy Hagar), ao qual agreguei uns acordes que lembram “Wherever I May Roam” do Metallica. Durante um tempo essa música foi executada sob uma letra do Gilberto que parecia encaiar perfeitamente (“Come Out and Play”), mas quando ele saiu da banda encaixamos uma letra minha que, na verdade, era para ser candata em outra música (“Heal My Soul”, não sem antes termos tentado a letra de “Jenna´s Revenge”).
A formação ainda contava com os dois vocalistas, mas dificilmente reunimos todos os integrantes para os ensaios. Era sempre o Bruce, eu, e mais um ou outro que se disponibilizasse para aparecer. Tentamos incorporar músicas do Dream Theater no repertório de covers, mas com a falta de ensaios regulares com todos os integrantes (e a falta de treino em casa) não foi possível.
Sobre o show, escrevi o seguinte neste blog, há cinco anos atrás:
“esse show foi completamente diferente de todos os outros. A "organização" foi a pior possível - não teve passagem de som, além de não ter sido divulgado o show. Em outras palavras: ninguém foi. Além de nós, se apresentaram a FIREWALL (covers do Dioberto), a SONICVOLT (stoner rock do Luciano) e a SILENT STORM (metal). E o público presente limitou-se aos integrantes das bandas e alguns agregados (valeu pelas fotos, Raquel).
A FIREWALL tocou primeiro (começou depois da meia-noite). Repertório exclusivo de covers, vários estilos. Os melhore momentos foram a participação do Luciano em SMOKE ON THE WATER (ele esteve brilhante também durante o show da Burnin´ Boat), o solo de guitar de JUMP, e a interpretação do Dioberto nas músicas do Pearl Jam e STP.
Minutos antes de subirmos ao palco, alteramos o set list: NEON KNIGHTS e HEARTBREAKIN foram excluídas em favor do medley Black Sabbath que fora muito bem sucedido no ensaio. De modo geral, posso dizer que a apresentação foi boa - os erros pontuais (e inevitáveis, diante da escassez de ensaios) foram contornados com tranqüilidade. Esse foi o show em que realmente nos permitimos IMPROVISAR no palco.
Havíamos combinado tocar um trecho de SHINE ON YOU CRAZY DIAMOND (Pink Floyd) no início, antes da 1ª música: mas na hora eu puxei outra da mesma banda: BREATHE. O show, propriamente, começou com ACE´S HIGH, seguido de HIDDEN. Nessa tocamos o riff de BLIND (Korn) e fizemos uma pequena jam, a qual serviria de base pro solo do Cláudio. Como ele não se ligou na hora, acabou que eu fiz o solo.
A partir de agora eu não lembro da ordem das músicas exata, pois fomos tocando sem seguir o set list elaborado pelo Dioberto. NOISE GARDEN ficou legal: baixei a sexta corda pra D(ré) depois de iniciada a música (antes do riff principal). E ficou muito afu o timbre pesadão. Falando em timbre, apanhei bastante do Marshall que tinha lá - a toda hora eu aumentava o volume, porque nem eu que tava na frente dele podia ouvir a minha guitar. Usei a própria distorção do ampli.
O cover de PERFECT STRANGER ficou bem legal, uma das melhores execuções que já fizemos dessa música. BLACK DRESSING SOUL também ficou legal e sem erros; não fosse pela apatia reinante pela falta de público, essa teria empolgado bastante. Lá pelas tantas o Dioberto chamou o medley Sabbath que começou bem com IRON MAN, até a parte do solo. Nesse momento, puxei CHILDREN OF THE GRAVE, que acabou ficando só no instrumental, pois nenhum dos vocalistas resolveu cantar. SWEET LEAF ficou legal. WAR PIGS me deixou arrepiado - nunca dei muita bola pra essa música, mas agora eu já estou revendo essa posição.
KILL THE KING (Rainbow) rolou depois desse medley e foi outro bom momento. Nessa música, depois dos solos, o Luciano (que já tava bem alcoolizado) passou o microfone pro Dioberto de forma bem rude - comecei a rir muito, até parei de tocar, e só voltei "a si" (SIC) no refrão. 2 MINUTES TO MIDNIGHT foi a última da noite, e o instrumental ficou perfeito. Os vocais só não renderam porque o pessoal não decorou a letra ainda. Quando acabamos, demos por terminado o show - na hora o Bruce lembrou que AUNT EVIL não tinha rolado; mas aí já era tarde. SPECTREMAN também ficou pra próxima.
A SONICVOLT acabou não se apresentando - os caras foram embora. Ficamos, então, pra ver a SILENT STORM, que tocou covers de Iced Earth (que ficaram bem bons até), Stratovarius (Break the Ice, do 2o disco dos caras - total surpresa), Gamma Ray (insuportável, "Heaven Can Wait"). Foi bem metal, retão, e eu me epolguei bastante.”
O baixista e vocalista da Silent Storm era o Lukee, que a partir do show do Deep Purple/Sepultura/The Hellacopters no Gigantinho, ainda naquele ano, viraria grande faixa do Bruce, e parceiro musical, inicialmente na Worldengine, e depois na própria Burnin´ Boat como baixista.
Resenhas dos ensaios até este show:
1) 10.07.2003 - Fistful of riffs
2) 25.07.2003 - Heaven Cafe Inc
3) 21.08.2003 - Até a pé nós iremos (com o Kiss)
4) 28.08.2003 - ...And Jenna for all
5) 10.09.2003 - Sabbath R Us
segunda-feira, setembro 15, 2008
10.º show - 17/05/2003 Guanabara Bar
Poucas memórias sobre esse primeiro show que fizemos em 2003 no Guanabara Bar (local que foi palco para um homicídio, alguns meses depois, numa festa hip hop). O Valmor Senior se fez presente, assim como o Bernard e o Gabriel, ambos ex-Bed Reputation; o último era o baixista da banda do Dioberto (Firewall), e ele, juntamente com o tecladista da mesma banda, foram os responsáveis por conseguir um bom público (parecia o recreio do Rosário). O show foi organizado pelo Dioberto, em comemoração ao seu aniversário, de modo que ele tocou com sua banda de covers, e depois fomos nós (não lembro se teve outra no meio). O repertório não deve ter diferido muito do que executávamos na época: uns covers de Deep Purple, Black Sabbath, talvez algum Iron Maiden.
quarta-feira, setembro 03, 2008
9.º show - 22.05.2002 – Teatro de Câmara Túlio Piva (com Trem Bala e Carbono)
O contato com o Hernani rendeu mais um fruto, desta feita no Teatro de Câmara Túlio Piva, que fica na R. República, perto do Colégio Pão dos Pobres. Esse foi o único show no qual não contamos com o Cláudio, que não estaria disponível tendo em vista uma viagem para Campinas/SP (acredito que era um congresso relacionado com a faculdade dele). Resolvemos que seria só eu o guitarrista, mas achamos que seria uma boa também ter dois vocalistas se revezando no palco, e depois os dois se juntarem no palco. Em relação ao repertório, as músicas não poderiam ser muito complicadas dada a minha limitação como solista, e convencionamos que as canções deveriam ser mais ou menos conhecidas. De músicas próprias, a serem cantadas pelo Luciano, escolhemos “Boats are Burning”, “Hidden” e “Ace´s High”, sendo que esta última era uma excelente composição do Daniel Ace Lairihoy (houve uma época em que o Bruce e eu fizemos algumas jams com ele, e um dos temas era esse, com um riff cromático, que vinha depois de um hipnótico riff principal. A idéia era excelente, e o Bruce inventou uma quebrada magnífica, que nos deixou desconcertados e nos deu trabalho para aprender a contar e tocar corretamente. Posteriormente o cara nos liberou essa composição, pois não pretendia utilizá-la em nenhum dos seus muitos projetos inacabados. Nós nos incumbimos de finalizar a música e o fizemos em ensaios, incorporando umas partes mais ou menos diferentes).Valmor: Se o posterior show da Croco é ainda o mais memorável show da BB, guardo este como o show com o melhor som. Tenho uma vontade enorme de voltar a tocar naquele teatro, cuja acústica é fenomenal. Lembro que a sonoridade encorpada da minha bateria afetou substancialmente a minha maneira de tocar naquela noite.
GILBERTO: Eu lembro que a entrada de "Lick It Up" no set list se deu por iniciativa minha, grande apreciador de medleys. Ensaiávamos pela primeira vez tendo esse show em vista e ao acabar Rock "And Roll All Nite" eu engatei "Lick It Up" instintivamente, a banda abraçou, e o resto é história.
A noite era fria e chegamos por volta das 20h, encontrando todos do lado de fora do teatro. Não recordo da passagem de som, mas lembro um pouco da performance enérgica da banda que tocou antes de nós.
GILBERTO: fato é que eu sempre tentei compensar minha falta de grandes alcances agudos (totalmente dispensáveis) com uma boa performance e improvisação. Mas o crédito todo fica com o clima que emana de um palco e da iluminação que aquela estrutura nos oferecia - anima tocar num lugar próprio pra um grande show como foi aquele.
Valmor: Gosto muito de curtir em vídeo nossa auto-indulgente performance de "Mistreated" deste show, uma das nossas mais ousadas e longas.
Os shows das bandas que nos precederam não foram marcantes, senão pelo fato de que o vocalista da banda que subiu ao palco antes de nós estava visivelmente alterado (leia-se: sob efeitos de psicotrópicos).
Set list: Boats Are Burning, Ace´s High, Hidden, Smoke on the Water, Mistreated, Spectreman, Rock and Roll All Nite & Lick it Up.
GILBERTO: se não me engano, aquele foi meu "ticket de entrada" pra Burnin' Boat como membro efetivo.
sexta-feira, agosto 22, 2008
8.º show - dez2001 – Auditório Araújo Vianna (Radamés Gnatalli)
No final de 2001 tivemos a oportunidade de participar de mais um evento patrocinado pelo Hernani, dessa vez numa sala do Auditório Araújo Viana no Parque da Redenção (ou Farroupilha). O palco ficava a alguns centímetros do chão, e o público era posicionado sentado em cadeiras enfileiradas de frente para a banda, como uma sala - a sala Radamés Gnatalli.
Lembro que sai do meu estágio, no final da tarde, e fui com o Christian fazer a passagem de som. Tocamos “Boats are Burning” e algum outro cover, e o Christian, para minha satisfação pessoal, comentou que o meu solo era melhor que o do Cláudio (na verdade, o meu solo era mais planejado, pois compus basicamente nota por nota, deixando pouco espaço para improvisação, ao contrário do Cláudio, que debulhava as notas).
Éramos bastante confiantes a respeito das nossas músicas e do nosso som, e acreditávamos que a Burnin´ Boat era a atração principal da noite, e que as outras seriam as bandas de abertura. Só que fui percebendo que as pessoas que estavam ali eram, na verdade, amigos e familiares das bandas de abertura, de modo que o nosso show pouco importava. Assim, não era incomum que as pessoas debandassem no início da nossa apresentação, quando ouviam as primeiras notas das nossas guitarras distorcidas, o que me decepcionou um pouco, e posteriormente me fez pensar que melhor seria se apresentar primeiro, e deixar para outra banda fechar a noite. Até que tivéssemos um público nosso (o que jamais conseguimos fazer, conquanto eu tenha intuição que algumas pessoas gostavam do nosso som), o melhor seria reconhecer as nossas limitações e dar um jeito de tocar para o maior número de pessoas, que afinal não estavam ali para nos ver, e sim para ver as outras bandas.
Seja como for, tentávamos nos comportar o mais profissionalmente possível, obedecendo as orientações do Hernani e sendo sempre bastante tranqüilo e cuidadoso. Era evidente que essa atitude foi a que nos proporcionou todos esses shows com o Hernani, e pelo fato de não ter percebido isso na época, nunca tive a chance de agradecer aquelas oportunidades.
O repertório foi curto, tipo 40min. Não localizei nenhum registro visual dessa apresentação, de modo que fica complicado lembrar o repertório que tocamos. Provavelmente não deve diferir muito dos demais shows da época.
O Bruce e eu, com o Dioberto e mais um guitarrista e um baixista, voltaríamos à Sala Radamés Gnatalli para uma apresentação com a Bed Reputation, projeto paralelo que serviu para incorporar o Dioberto à Burnin´ Boat.
Lembro que sai do meu estágio, no final da tarde, e fui com o Christian fazer a passagem de som. Tocamos “Boats are Burning” e algum outro cover, e o Christian, para minha satisfação pessoal, comentou que o meu solo era melhor que o do Cláudio (na verdade, o meu solo era mais planejado, pois compus basicamente nota por nota, deixando pouco espaço para improvisação, ao contrário do Cláudio, que debulhava as notas).
Éramos bastante confiantes a respeito das nossas músicas e do nosso som, e acreditávamos que a Burnin´ Boat era a atração principal da noite, e que as outras seriam as bandas de abertura. Só que fui percebendo que as pessoas que estavam ali eram, na verdade, amigos e familiares das bandas de abertura, de modo que o nosso show pouco importava. Assim, não era incomum que as pessoas debandassem no início da nossa apresentação, quando ouviam as primeiras notas das nossas guitarras distorcidas, o que me decepcionou um pouco, e posteriormente me fez pensar que melhor seria se apresentar primeiro, e deixar para outra banda fechar a noite. Até que tivéssemos um público nosso (o que jamais conseguimos fazer, conquanto eu tenha intuição que algumas pessoas gostavam do nosso som), o melhor seria reconhecer as nossas limitações e dar um jeito de tocar para o maior número de pessoas, que afinal não estavam ali para nos ver, e sim para ver as outras bandas.
Seja como for, tentávamos nos comportar o mais profissionalmente possível, obedecendo as orientações do Hernani e sendo sempre bastante tranqüilo e cuidadoso. Era evidente que essa atitude foi a que nos proporcionou todos esses shows com o Hernani, e pelo fato de não ter percebido isso na época, nunca tive a chance de agradecer aquelas oportunidades.
O repertório foi curto, tipo 40min. Não localizei nenhum registro visual dessa apresentação, de modo que fica complicado lembrar o repertório que tocamos. Provavelmente não deve diferir muito dos demais shows da época.
O Bruce e eu, com o Dioberto e mais um guitarrista e um baixista, voltaríamos à Sala Radamés Gnatalli para uma apresentação com a Bed Reputation, projeto paralelo que serviu para incorporar o Dioberto à Burnin´ Boat.
sexta-feira, agosto 15, 2008
7.º show - 2001 Bar João
Depois que assisti a um show da Hibria – banda de heavy metal com músicos muito técnicos, formada por ex-colegas de colégio – no Bar João, no final dos anos 1990 e antes da Burnin´ Boat tomar forma, tive uma certa noção do que Paul Stanley certa vez disse sobre assistir o Led Zeppelin no Madison Square Garden; a comparação provavelmente não é boa, mas, enfim, o guitarrista do Kiss disse que ao ver o Led teve aquela vontade misturada com um certo pressentimento do tipo “um dia vou tocar lá”. Pois então, se um dia conseguisse tocar no Bar João, seria um grande momento para se considerar, mesmo que brevemente, um rock star.
Valmor: Realmente há um valor muito grande neste show, no sentido de que quando alguém relelmbra o saudoso Bar João, a gente pode dizer "Tocamos lá!".
O Bar João era um local tradicional de encontro da galera que curtia som pesado. Se numa primeira época possa ter agregado punks, alternativos e outros, nos tempos mais recentes o público era de metaleiros, com roupas pretas e tudo mais. Assim, no show da Hibria, os caras estavam se despedindo do público de casa para uma temporada de apresentações na Europa, embora isso não tenha sido divulgado aos presentes (foi o Jorge quem me deu a letra). O local estava lotado e as pessoas muito excitadas, vibrando em todas as músicas, próprias e covers. Fiquei, então, com uma baita impressão positiva do Bar João como local para shows desse tipo, apesar de que fazer show num bar daquele tipo parecia improvável, pois o palco era apenas um local que dividia as mesas do bar da parte onde ficavam as mesas de sinuca, e os músicos e instrumentos ficavam ali espremidos.
Valmor: Vale lembrar a minha apreensão durante todo o set, pois a banda ficava sobre um tabladinho baixo, mas meu banquinho de bateria ficava no limite do fundo do palco, e eu achava que a qualquer momento seria protagonista de uma videocassetada (afinal estávamos filmando, como de praxe).
GILBERTO: Eu já tinha ido algumas vezes ao "João" e lá tocava aquela banda que era tipo um objetivo pra mim, em termos de reconhecimento, a "Crossfire" [nota do Guilherme: também lembro e curti muito esses shows da Crossfire]. Mas na noite em que fui tocar com a Burnin' Boat lá, lembro que rolou um sentimento de hesitação da minha parte, tipo quando os Blues Brothers entraram pra tocar num bar legitimamente country, em seu primeiro filme. Eu pensei "Mas esse palquinho vai ser muito pequeno pra nós" - pensamento típico do "perfomer" :-) e assim foi, não nos esbarrávamos, mas tbm não nos atrevíamos a nos mover muito.
A Burnin´ Boat, em 2001, já estava com sua formação clássica consolidada, e já havíamos nos apresentado algumas vezes. Acho que foi em setembro que surgiu a oportunidade de tocarmos no Bar João; sempre estimulei o Luciano, que freqüentava o Bar durante a semana, a tentar marcar um show para nós, e parece que o cara deixou um cd nosso com o dono do Bar, que pelo jeito não era muito acessível, mas aceitou nos deixar tocar.
Acredito que a idéia de divulgar o show como “hard rock de grátis” tenha sido do Bruce, e ele e o Luciano agilizaram um cartaz, que não estou certo de ter visto nos muros da cidade (não tenho nenhuma foto nesse sentido...). Efetivamente, não foi cobrado ingresso da platéia, e nem ganhamos nada com a apresentação. Para mim isso nunca foi dificuldade alguma, pois o meu móvel foi sempre o de tocar, em ensaio ou em show. A mim sempre pareceu estranho receber alguma remuneração pelos shows, pois nosso esquema não era muito profissional, e a gratuidade poderia desculpar algum amadorismo da nossa parte na execução das músicas, ou mesmo na apresentação em si (nunca fomos dos mais empolgados e empolgantes no palco). A idéia do “hard rock de grátis”, ao final, revelou-se frutífera e atingiu as expectativas, pois o público foi bom.
Naqueles tempos eu era colega de estágio do Christian, que me emprestou um pedal multi-efeitos da Zoom que ele tinha e tava querendo se desfazer. Utilizei em alguns ensaios, e em certa medida satisfeito com a distorção do aparelho, resolvi levar para o show.
Ensaiamos algumas músicas boas para esse show, e acho que foi a primeira (e talvez única) vez em que tocamos “Kill the King” do Rainbow. O Gilberto era um vocalista que o Bruce descobriu pela internet e logo se dedicou a um projeto com ele, pois o cara era um grande sujeito, tinha um gosto musical muito compatível com o nosso, e desempenhava bem no microfone. Eventualmente a esse projeto se somaram o Nílton, o Cláudio, o Bill e o Nedimar (por um tempo, depois substituído por um cara chamado Diego); era a Hard Times, e o som era bem diferente da Burnin´ Boat. Nunca fui muito simpático a essa idéia dos caras levarem paralelamente uma outra banda, sobretudo por envolver 3/5 da Burnin´ Boat, e a esse fato atribuí uma certa paralisia nas atividades da banda (parecia que as coisas, em nível de composições, só evoluia por iniciativa minha), e assim criei um certo desconforto com essa situação, mas devo admitir que os caras deviam se divertir bastante, conquanto não tenham levado essa banda a lugar algum (apenas ensaiavam, compunham umas músicas, mas não chegaram a tocar ao vivo). Seja como for, dessa banda saiu um relacionamento produtivo com o Gilberto, e não lembro exatamente como tivemos a idéia de chamá-lo para cantar uma música nesse show, e a escolha recaiu exatamente sobre “Kill the King” (não por acaso costumo me referir ao Gilberto como Dioberto, pois assim era o seu nickname no ICQ, e revelava toda a sua admiração pelo Ronnie James Dio).
Valmor: A grande anedota do Gilberto neste show é que o cara se empolgou um pouco demais na "Kill the KIng" e esqueceu de devolver o microfone para o Luciano, para ele completar o dueto. O cara ficou meio de cara com isso, e gerou bastante risada depois.
GILBERTO: Baita anedota, eu diria. Me senti super mal, depois, pois prezei e prezo o Luciano pra caralho, mas foi algo quase instintivo, afinal de contas era Rainbow tocando (com direito à emocionante intro típica dos shows daquela banda) e era eu no vocal. Aconteceu, foi acidental, pedi todas desculpas do mundo a todos - mas como se vê, entrou pra história da BB.
O show era no final da tarde (exatamente como o da Hibria, anos atrás) de um sábado (ou domingo?), de modo que chegamos ao Bar no meio da tarde para a passagem de som (não sem nos atrasarmos). Evidentemente que tocamos “Killl the King”, que é uma música mais complexa do que as que estávamos acostumados a tocar (se não pelo fato de que não estava tão bem ensaiada como deveria). Além dessa, tocamos (no show) “Burn”, “Highway Star” e possivelmente “Perfect Strangers” do Deep Purple, “The Tower” do Bruce Dickinson. Das próprias, me atrapalhei na parte limpa de “Black Dressing Soul”, pois não tinha treinado suficientemente a passagem da parte distorcida para a limpa (a fim de tocar o dedilhado), afinal estava com uma pedaleira que não era minha, e o lance não era tirar a distorção com um pisada, e sim diminuir o volume da guitarra no botão de volume. A Vanessa comentou que me achou nervoso, sobretudo por errar nessa parte. Realmente ficou feio, mas não foi nervosismo, e sim falta de treino.
Uma das idéias para o decorrer das apresentações era a de o Luciano introduzir o nosso cd e selecionar alguém da platéia para ganhar um de graça. Nesse show, o cara anunciou o cd e ofereceu para o primeiro que se manifestasse. Um conhecido meu (e colega em algumas cadeiras) da faculdade, que curtia as bandas que estávamos fazendo cover, e que estava de alguma forma aproveitando o show, pediu o cd, mas não foi tão rápido quanto uma mulher que estava bem na frente do palco, e que, conquanto tenha sido a primeira a levantar a mão, não parecia tão merecedora da nossa graciosidade. Seja como for, nosso cd era vendido a preço tão baixo (R$ 5,00 – cinco pila!), que muitas vezes eu me decepcionei com certas pessoas que não se disponibilizavam para adquirir o disco. Bem ou mal, esse cara (que estava presente no Bar desde a passagem de som), pelo menos, elogiou nosso repertório e apresentação, dizendo que tinha curtido a interação das guitarras, sobretudo em “Kill the King”.
Uma outra boa memória foi um comentário que a Sabrina fez depois do show; segundo ela, uma guria comentou que o seu namorado era meu fã (isto é, gostava das músicas que eu compunha). Entretanto, a Sabrina não soube precisar quem era a guria, muito menos o seu namorado, de modo que até hoje não sei quem é a pessoa, muito embora tenha algumas desconfianças (afinal, não são tantas as pessoas que curtem a banda...).
GILBERTO: Rico show, mandando ver boa música, em um lugar emblemático pruma platéia cheia de amigos. Tem algo melhor que isso?
Set-list: Burn, The Tower, Heartbreaking, Paranoid, Black Dressing Soul, Kill the King, Aunt Evil, Spectreman Theme, Boats are Burning, Snowblind, Hidden e Highway Star.
Desde 2003, aproximadamente, o Bar João está fechado, em decorrência de questões, digamos, extra-campo.
quinta-feira, agosto 07, 2008
6.º show - 09.08.2001 – Casa de Cultura - Sala Carlos Carvalho (com Glóbulo Azul e Crush)
Legal que diversos conhecidos se fizeram presentes como o Giuliano, o Diego, o Jorge, uma chefe minha e duas colegas de estágio, o Daniel Ace Lairihoy, Minduim, Raquel, Vanessa e Fernando. O legal desse esquema com o Hernani era que não precisávamos nos preocupar com outra coisa que não a nossa própria apresentação. Das três bandas, o nosso seria o último show. O evento atraiu um bom público. E tocamos bem (nos atrapalhamos um pouco apenas na pequena "jam" com o riff de "Unchained", que soou um pouco deslocada e tal).
Acho que por volta dessa época, a MTV passava uns vídeos caseiros de bandas durante os comerciais, e provavelmente foi por aí que tivemos a idéia de filmar o ensaio com uma câmera estática.
Depoimento do Luciano: "hahahahaha esse show na casa de cultura foi muito legal... lembro que tocamos bem, fiquei bem satisfeito com nós mesmos, e foi divertido! Além disso o lugar tinha um bom camarim pras bandas, coisa que até hoje falta em muitos lugares :)".
Ensaio em 08.08.2001 (conteúdo: "Boats are Burning", "The Tower", "Sweet Thing", "Heartbreakin'", "Man on the Silver Mountain", "Noise Garden", chats, e "Black Dressing Soul").
Show em 09.08.2001 (set list: "Boats are Burning", "The Tower", "Sweet Thing", "Heartbreakin'", "Man on the Silver Mountain", "Noise Garden", "Black Dressing Soul" e "The Wicker Man").
quinta-feira, julho 31, 2008
5.º show - 28.09.2000 (?) – Garagem Hermética (com várias bandas)
Não lembro exatamente como surgiu o lance de tocarmos no Garagem Hermética. Esse local era um conhecido e tradicional ponto de encontro de públicos de gosto musical variado, com predominância, talvez, para a galera Famecos. Já tinha assistido ali a um show da Hibria com o vocalista antigo (que não sabia cantar “Tornado os Souls” do Megadeth, e quem subiu ao palco foi a Dige, irmã do baterista da banda), de modo que era uma grande honra tocar no mesmo lugar. O local havia sido reformado, e assim o palco estava montado do lado esquerdo de quem entra, a aproximadamente um metro de altura (no show da Hibria que eu tinha assistido, o palco ficava uns 20cm do solo, e se posicionava à direita de da entrada.
Depoimento inestimável do Valmor (Bruce): "Me lembro de estar bastante empolgado com este show, na lendária casa da Barros Cassal. Ainda hoje quando vou lá ver algum show, estranho o fato de o palco ter sido trocado de lado após incêndio. Então onde tocamos agora há um bar. Uma das minhas anedotas favoritas sobre esta noite é sobre o Bill, que viera de aula na PUC para curtir nosso show. O cara entrou no ônibus vazio, e logo depois entrou um cara com a maior cara de assaltante, passou a roleta e sentou ao lado dele. Num reflexo inexplicável, nosso amigo começou a se comportar feito autista, falando sozinho e se balançando e batendo a cabeça no vidro. Funcionou, pois a figura ameaçadora se assustou e foi sentar longe. "
Naquele dia tocariam diversas bandas (dentre as quais a banda do Nedimar e do Bill), de modo que o set list não poderia ser muito longo. Mesmo assim, preparamos diversas músicas, e dentre as novidades estava “Snowblind” do Black Sabbath, que tocaríamos em tom bem grave, e de certa forma dedicamos ao Felipinho, que era grande fã da banda de T. Iommi, e estava lá (e parece ter curtido). Além dessa, ensaiamos “Fool For Your Loving” do Whitesnake, na versão Steve Vai, o que me pareceu um pouco audacioso, pois se trata de uma versão de hard rock magnífica e de virtuosismo. Entretanto, acima de tudo estávamos entusiasmados com o Cláudio, que tirou o solo de Vai e executou, ao seu estilo, o mais próximo possível do original.
Valmor: "Pelo que recordo, tocou antes de nós uma banda de gurizada que executou um set list caótico que ia de Rush (muito mal tocado) até a música do "lacre azul do cachorrinho". Eu e o Filipinho ficávamos gritando bobagens nonsense durante o show dos caras. Eram 4 bandas no total (ou 5, não lembro bem), e ainda tocaria depois de nós uma banda instrumental (o Bill conhecia os caras) e no fim a Atrack."
Esse foi um show estranho; tenho poucas recordações dos momentos anteriores (sei que foi pouco depois do meu aniversário), e acho que não estava nervoso. Queríamos tocar “Noise Garden”, e diante do fato de que essa exigia a guitarra afinada em dropped-D, preparamos guitarras reservas para trocar durante o show. Só que quando acabamos uma música e trocamos as guitarras para tocar “Noise Garden” parece que deu a impressão do show ter terminado. Vi que um cara da banda que tocaria em seguida começou a pedir pelo fim da apresentação. O sujeito ficou acenando bastante e aquilo me irritou profundamente, pois ainda tínhamos mais algumas músicas. Após alguns momentos de impasse (“continuamos ou saímos”), tocamos “Noise Garden”, e durante a execução eu comecei a aumentar o volume do amplificador, toda vez que via aquele cara encher o saco. Sabíamos que aquela seria a última música, e estava tão furioso que queria ficar tocando aquela música durante horas (poderia ficar solando infinitamente, porque a música se presta para improvisações nesse momento), e realmente fiz muito barulho para tornar o som o mais insuportável possível. Por fim acabamos a música e começamos a desmontar o equipamento. Por um instante cogitei de cortar o fio do amplificador com meu alicate, mas sabia que isso poderia causar tumulto e resolvi me conter. Não é da minha índole arruinar um evento por causa de um babaca. Sei que não fiquei pra ver as outras bandas e fui embora com a Sabrina.
O Bruce também teve essa impressão, de que o show foi detestável.
Valmor: "Este show me deixou com uma das impressões mais paradoxais. Em termos de performance, lembro que fomos impecáveis, tocando todas as músicas com ótima pegada. Só que o público foi geladíssimo (lembro que quando oferecemos um CD demo de graça como de praxe ninguém se agilizou pra pegar) e ainda por cima, perto do fim do set o cara da banda seguinte começou a chatear para terminarmos. Descontentes, descarregamos nossa revolta em uma extended version de "Noise Garden", com muita barulheira no fim, espancando os instrumentos. Dada a incomodação, acabamos indo embora bem rápido, ao contrário de permanecermos curtindo mais um pouco os shows, como de costume."
Depoimento do Nílton: "Bom, na realidade não me lembro muito bem do show, exceto de que o Guilherme havia se estranhado com um rapazote da outra banda... Pra variar lembro que o palco era apertado e eu sempre tinha que ficar ou de lado ou atrás de alguém (no bom sentido). Não sei se foi nesse ou em algum outro que eu estava tentando fazer uns backs e aí tentava me concentrar para conseguir utilizar minhas duas metades do cérebro. Depois de um tempo eu percebi que não tinha a habilidade necessária para tanto. Gostei do palco ser alto e tal, mas realmente, o público não estava ajudando, até porque havia muitas bandas com estilos diferentes e tal. Esse tipo de evento que junta muita gente com gostos diferentes não dá certo, como as bandas que utilizam a incrível técnica de cantar para dentro juntamente com os gurizinhos que ficam masturbando os instrumentos para mostrar que são virtuosos... Fora o conflito de idades... nós éramos um pouco mais velhos que o público do local e a maioria do pessoal, eu acho, era fã de punk rock. É o que me lembro."
Depoimento inestimável do Valmor (Bruce): "Me lembro de estar bastante empolgado com este show, na lendária casa da Barros Cassal. Ainda hoje quando vou lá ver algum show, estranho o fato de o palco ter sido trocado de lado após incêndio. Então onde tocamos agora há um bar. Uma das minhas anedotas favoritas sobre esta noite é sobre o Bill, que viera de aula na PUC para curtir nosso show. O cara entrou no ônibus vazio, e logo depois entrou um cara com a maior cara de assaltante, passou a roleta e sentou ao lado dele. Num reflexo inexplicável, nosso amigo começou a se comportar feito autista, falando sozinho e se balançando e batendo a cabeça no vidro. Funcionou, pois a figura ameaçadora se assustou e foi sentar longe. "
Naquele dia tocariam diversas bandas (dentre as quais a banda do Nedimar e do Bill), de modo que o set list não poderia ser muito longo. Mesmo assim, preparamos diversas músicas, e dentre as novidades estava “Snowblind” do Black Sabbath, que tocaríamos em tom bem grave, e de certa forma dedicamos ao Felipinho, que era grande fã da banda de T. Iommi, e estava lá (e parece ter curtido). Além dessa, ensaiamos “Fool For Your Loving” do Whitesnake, na versão Steve Vai, o que me pareceu um pouco audacioso, pois se trata de uma versão de hard rock magnífica e de virtuosismo. Entretanto, acima de tudo estávamos entusiasmados com o Cláudio, que tirou o solo de Vai e executou, ao seu estilo, o mais próximo possível do original.
Valmor: "Pelo que recordo, tocou antes de nós uma banda de gurizada que executou um set list caótico que ia de Rush (muito mal tocado) até a música do "lacre azul do cachorrinho". Eu e o Filipinho ficávamos gritando bobagens nonsense durante o show dos caras. Eram 4 bandas no total (ou 5, não lembro bem), e ainda tocaria depois de nós uma banda instrumental (o Bill conhecia os caras) e no fim a Atrack."
Esse foi um show estranho; tenho poucas recordações dos momentos anteriores (sei que foi pouco depois do meu aniversário), e acho que não estava nervoso. Queríamos tocar “Noise Garden”, e diante do fato de que essa exigia a guitarra afinada em dropped-D, preparamos guitarras reservas para trocar durante o show. Só que quando acabamos uma música e trocamos as guitarras para tocar “Noise Garden” parece que deu a impressão do show ter terminado. Vi que um cara da banda que tocaria em seguida começou a pedir pelo fim da apresentação. O sujeito ficou acenando bastante e aquilo me irritou profundamente, pois ainda tínhamos mais algumas músicas. Após alguns momentos de impasse (“continuamos ou saímos”), tocamos “Noise Garden”, e durante a execução eu comecei a aumentar o volume do amplificador, toda vez que via aquele cara encher o saco. Sabíamos que aquela seria a última música, e estava tão furioso que queria ficar tocando aquela música durante horas (poderia ficar solando infinitamente, porque a música se presta para improvisações nesse momento), e realmente fiz muito barulho para tornar o som o mais insuportável possível. Por fim acabamos a música e começamos a desmontar o equipamento. Por um instante cogitei de cortar o fio do amplificador com meu alicate, mas sabia que isso poderia causar tumulto e resolvi me conter. Não é da minha índole arruinar um evento por causa de um babaca. Sei que não fiquei pra ver as outras bandas e fui embora com a Sabrina.
O Bruce também teve essa impressão, de que o show foi detestável.
Valmor: "Este show me deixou com uma das impressões mais paradoxais. Em termos de performance, lembro que fomos impecáveis, tocando todas as músicas com ótima pegada. Só que o público foi geladíssimo (lembro que quando oferecemos um CD demo de graça como de praxe ninguém se agilizou pra pegar) e ainda por cima, perto do fim do set o cara da banda seguinte começou a chatear para terminarmos. Descontentes, descarregamos nossa revolta em uma extended version de "Noise Garden", com muita barulheira no fim, espancando os instrumentos. Dada a incomodação, acabamos indo embora bem rápido, ao contrário de permanecermos curtindo mais um pouco os shows, como de costume."
Depoimento do Nílton: "Bom, na realidade não me lembro muito bem do show, exceto de que o Guilherme havia se estranhado com um rapazote da outra banda... Pra variar lembro que o palco era apertado e eu sempre tinha que ficar ou de lado ou atrás de alguém (no bom sentido). Não sei se foi nesse ou em algum outro que eu estava tentando fazer uns backs e aí tentava me concentrar para conseguir utilizar minhas duas metades do cérebro. Depois de um tempo eu percebi que não tinha a habilidade necessária para tanto. Gostei do palco ser alto e tal, mas realmente, o público não estava ajudando, até porque havia muitas bandas com estilos diferentes e tal. Esse tipo de evento que junta muita gente com gostos diferentes não dá certo, como as bandas que utilizam a incrível técnica de cantar para dentro juntamente com os gurizinhos que ficam masturbando os instrumentos para mostrar que são virtuosos... Fora o conflito de idades... nós éramos um pouco mais velhos que o público do local e a maioria do pessoal, eu acho, era fã de punk rock. É o que me lembro."
quinta-feira, julho 24, 2008
4.ª show - 29.08.2000 – Festival de Talentos PUCRS (com várias bandas)
Poucos dias depois do show no Heaven Café, nos encontramos na PUCRS para uma apresentação curta no Festival de Talentos de 2000 (tão logo foi anunciado o evento, inscrevi a banda - não lembro se era necessário entregar fita com amostra do som, exigência que se faria presente no ano seguinte). Os shows se dariam no reformado auditório do prédio da arquitetura (antigo prédio do direito), e fomos escalados para o primeiro dia, uma terça-feira. O Fernando, que era meu colega numa cadeira da faculdade, e o Giuliano apareceram para nos ver.Antes de subirmos ao palco, assistimos do lado de fora várias apresentações de todo o tipo, afinal, num Festival de Talentos tem de tudo (reagge, MPB, punk, etc.).
Depoimento do Valmor (também conhecido como Bruce em todos os posts sobre a Burnin´ Boat): "Uma das grandes rateadas históricas foi não termos catado com o Christian Satã a gravação direto da mesa deste show, de onde tiraram aquela mp3 de "Boats Are Burnin'". Executamos as músicas com muita velocidade, e lembro de "Heartbreakin'" ter rolado com certa insegurança (talvez a bateria estivesse "andando"). Não surpreende que tenhamos executado 4 faixas". Não foi por esta época que fizemos aquele ensaio no Brothers onde tocamos "The Tower" e outras?"
Seguem os clips de "Kiss of Death", "Boats are Burning" e "Spectreman".
quarta-feira, julho 16, 2008
3.º show - 27.08.2000 - no Heaven Café (com Anya)
Cada show da Burnin´ Boat teve um set list diferente; além disso, tentávamos incrementar a apresentação com o que pudéssemos oferecer como novidade. Para esse show do Heaven Café, resolvi “subir” ao palco (que, na verdade, ficava ao nível da platéia, e era montado numa espécie de porão do bar; a parte do “Café”, onde as pessoas ficavam bebendo e tinha efetivamente um balcão com garçom e bebidas, ficava acima) com um chapéu de caubói (na verdade um chapéu com propaganda da Expointer), para tentar lembrar um pouco do R. Blackmore. Na época o Iron Maiden havia lançado recentemente um disco muito esperado, o “Brave New World”, pois marcava o retorno de Bruce Dickinson e de Adrian Smith. Assim, particularmente estava orgulhoso de inserir no set list uma música desse disco, “The Wicker Man”. Para esse show, tiramos (menos o Bruce, que errou medonhamente antes do solo do Cláudio) também “Prowler” e, por fim, tocamos “2 Minutes to Midnight”, que não havia sido preparada para o show, mas que acabei puxando num momento em que o microfone deu problema (acabou dando tempo para o Luciano cantar toda ela, após o conserto do microfone).
A apresentação se deu no final da tarde de um domingo, na mesma data em que o Jota Quest se apesentaria no auditório novo perto do Centro Administrativo.
Esse show teve uma boa divulgação, provavelmente devido ao esforço da Anya (distribuição de flyers e cartazes nas lojas de cd do Centro), que era a banda nova do nosso velho conhecido Guilherme Deahtroner. Os caras se apresentaram depois de nós e eram muito bons músicos; tocaram, por exemplo, “Master of Puppets”, do Metallica, e “Caught Somewhere in Time”, do Iron Maiden. Curiosamente, o vocalista era um sujeito que estudava uma série depois da minha no meu colégio, e foi um dos primeiros (se não o primeiro) vocalista da Hibria (quando esta se chamava Malthusian). Com a boa divulgação, o público foi muito bom. O flyer enunciava as bandas que seriam “coverizadas”, e o local atraiu muitos fãs de Iron Maiden e Metallica. Além disso, a maioria também conhecia Deep Purple. Assim, nossa apresentação foi um sucesso junto ao público, que agitou e acompanhou as músicas do início ao fim.
O set list foi dividido em covers e próprias, e esse foi o único show em que tocamos “World on the Edge”, que eu gostava bastante, mas tinha riffs bem parecidos com uns do Whitesnake e do Impellitteri, tenho que admitir. Além dessa novidade, tocamos outras duas (então) compostas recentemente, "Heartbreakin´" (um hard rock com um riff de que me orgulho bastante, sofisticado para o meu padrão) e "Black Dressing Soul" (com o riff principal inspirado no Metallica da época do disco "Load"). Das antigas, fomos de "Boats are Burning", "Over the Moon", e "Hidden". Em relação aos covers, o Iron Maiden foi dominante (influência do Nilton e do Cláudio): "2 Minutes do Midnight", além de "Prowler" e "The Wicker Man". Mantivemos "Kiss of Death", do Dokken, e fechamos com "Burn", do Deep Purple, uma de nossas favoritas.
Acho que aqui foi a primeira vez que uma corda da minha guitarra arrebentou (era freqüente isso acontecer em ensaios). Isso aconteceu na nossa composição instrumental, “Attitude Adjustment”, após o meu solo. Deixei minha guitarra Cobra de lado, e peguei a Squier Strato do Bruce, que levávamos como reserva. Isso conferiu ainda mais autenticidade à minha sedizente imagem de R. Blackmore, e um cara do lado do meu colega da faculdade, o Fernando, lembrou isso, para meu orgulho.
Estávamos todos a vontade diante de tanta receptividade, e no vídeo dá pra ver o Nilton olhando para a galera e agitando bastante. O Pedro se fez presente e foi o cinegrafista (acho que na ausência do Minduim).
Tratou-se de uma das poucas apresentações em que fiquei até o final do evento, pois assistimos o competente show da Anya, e ainda ficamos conversando um tempo até chegar a carona para levar o equipamento para casa.
Dois dias depois teríamos mais uma apresentação, que viria a ser o 4.º show da Burnin´ Boat.
A apresentação se deu no final da tarde de um domingo, na mesma data em que o Jota Quest se apesentaria no auditório novo perto do Centro Administrativo.
O set list foi dividido em covers e próprias, e esse foi o único show em que tocamos “World on the Edge”, que eu gostava bastante, mas tinha riffs bem parecidos com uns do Whitesnake e do Impellitteri, tenho que admitir. Além dessa novidade, tocamos outras duas (então) compostas recentemente, "Heartbreakin´" (um hard rock com um riff de que me orgulho bastante, sofisticado para o meu padrão) e "Black Dressing Soul" (com o riff principal inspirado no Metallica da época do disco "Load"). Das antigas, fomos de "Boats are Burning", "Over the Moon", e "Hidden". Em relação aos covers, o Iron Maiden foi dominante (influência do Nilton e do Cláudio): "2 Minutes do Midnight", além de "Prowler" e "The Wicker Man". Mantivemos "Kiss of Death", do Dokken, e fechamos com "Burn", do Deep Purple, uma de nossas favoritas.
Acho que aqui foi a primeira vez que uma corda da minha guitarra arrebentou (era freqüente isso acontecer em ensaios). Isso aconteceu na nossa composição instrumental, “Attitude Adjustment”, após o meu solo. Deixei minha guitarra Cobra de lado, e peguei a Squier Strato do Bruce, que levávamos como reserva. Isso conferiu ainda mais autenticidade à minha sedizente imagem de R. Blackmore, e um cara do lado do meu colega da faculdade, o Fernando, lembrou isso, para meu orgulho.
Estávamos todos a vontade diante de tanta receptividade, e no vídeo dá pra ver o Nilton olhando para a galera e agitando bastante. O Pedro se fez presente e foi o cinegrafista (acho que na ausência do Minduim).
Tratou-se de uma das poucas apresentações em que fiquei até o final do evento, pois assistimos o competente show da Anya, e ainda ficamos conversando um tempo até chegar a carona para levar o equipamento para casa.
Dois dias depois teríamos mais uma apresentação, que viria a ser o 4.º show da Burnin´ Boat.
sábado, julho 12, 2008
2.º show - 18.06.2000 – Teatro de Elis (com Daduke e Pulse)
No começo do inverno de 1999, perto das férias de julho, mas antes das últimas provas do G1, fizemos o primeiro show da Burnin´ Boat. Fiquei bastante eufórico nos dias seguintes. Entretando, logo deu para perceber que o Luciano e o Guilherme Deathroner não tinham tanta vontade de tocar com a gente, seja pelas covers, seja pelas composições próprias, e essa situação era frustrante (e cheguei ao ponto de mandar um e-mail lamentável para os caras... definitivamente não sabia conduzir as coisas adequadamente, e é evidente que isso não rendeu bons frutos). O Bruce e eu costumávamos, em retorno, desmarcar ensaios da Ruligans para tocar como Burnin´ Boat, e eventualmente a Ruligans se dissolveu. Assim, a Burnin´ Boat ficou resumida a guitarra e bateria por vários meses. Mesmo assim, o Bruce e eu mantivemos uma rotina semanal de ensaios, e isso proporcionou o desenvolvimento das músicas próprias. Afinal, curtíamos mesmo era tocar o que desse na cabeça e os ensaios se resumiam basicamente a longas sessões de improvisação. Só que tínhamos uma noção de começo, meio e fim nessas improvisações, e não raro saíamos com a sensação de que éramos capazes de compor discos inteiros com músicas criadas espontaneamente nesses ensaios. Essa sensação transformou-se numa espécie de convicção quando chegamos ao ponto de voltar para casa, após um ensaio, ouvir as fitas, passar para o computador, gravar os mp3, tirar os riffs, transcrever tudo para um programa de edição de tablaturas, e ajustar a ordem das partes da música; ao final desse processo, tínhamos uma música nova. Um excelente exemplo desse nosso método de composição é a faixa “Noise Garden”.
Voltando um pouco no tempo - 1998, Parasite, muitos ensaios
No final de 1999 estávamos a procura de um vocalista. Convidei o namorado duma colega de estágio, mas o cara estava se dedicando aos estudos, até chegou a ouvir uma fita, mas não se interessou em fazer um teste. Já tínhamos tido uma experiência de "quase" formação da banda anteriormente, então sabíamos das dificuldades, não tínhamos pressa, mas já estávamos ansiosos para tocar com a formação completa. Um ano antes (1998), o Pedro, quando ainda era nosso “tocador de baixo” (embora raramente aparecesse em algum ensaio), tinha contato com a Parasite, uma banda cover do Kiss que ele “empresariava” de certa maneira. Aparentemente o “Paul Stanley” da Parasite, chamado Felipe, também tinha umas composições, e o Pedro e o Bruce tiveram a idéia de chamar o cara para tocar conosco. Não demorou e fizemos um ensaio num sábado quente de dezembro de 1998 no nosso estúdio, e tocamos, basicamente, músicas do Kiss. Nunca tínhamos tocado tantas músicas legais, e embora nunca tivesse praticado os solos do Ace Frehley em casa, sabia boa parte deles só de ler as tablaturas nas revistas de guitarra e na internet. Apresentamos “Hidden” para o Felipe, e ele mostrou uns trechos de uma composição dele, que nem conseguimos tocar – simpesmente não acertávamos o tempo certo para entrar depois da introdução de guitarra (pedi para que ele gravasse numa fita para tentar tirar em casa, o que ele jamais fez, de modo que até hoje duvido que ele efetivamente tivesse as duas ou três músicas próprias que se dizia).
A formação, então, seria Bruce, Pedro, eu e Felipe. Fizemos mais um ou dois ensaios (janeiro de 1999), e aí já nos concentramos em tocar “Hidden”, à época um pouco diferente da versão eventualmente apresentada no Cecaf (a parte lenta seria não mais a base para o terceiro verso, e sim para um solo; o terceiro verso seria cantado sobre uma base mais rápida, o que acabou sendo rejeitado por todos, especialmente pelo Pedro que tinha muito pouca técnica para tocar nas partes mais fáceis – o que dizer numa parte rápida... imediatamente, então, sugeri tocar só uns acordes, e essa versão é a que acabou sendo registrada no nosso cd). Acontece que o fato de tocarmos várias músicas do Kiss no primeiro ensaio, aliado ao fato de que desempenhei com alguma decência os solos do Ace Frehley (pelo menos fiz uns bends enquanto o Felipe tocava as bases), acabou, em retorno, dando ensejo para um convite da Parasite para eu tocar com eles. O “Ace Frehley” dos caras estava enfrentando alguns problemas pessoais que não lembro ao certo, e o Felipe teve a idéia de me chamar. Recebi o convite no dia da festa de aniversário do Tiago e fiquei bastante feliz com a idéia, sobretudo pelos planos grandiosos que os caras tinham de, por exemplo, fazer shows no interior e tudo mais. Assim, no ano novo de 1999 fiz o primeiro ensaio com a Parasite e, depois de uma longa conversa, entrei para a banda.
Só que o fato do Felipe se dedicar (muito) mais à Parasite do que à Burnin´ Boat me perturbou um pouco, e tive a oportunidade de deixar claro para os caras que a minha idéia era a inversa, i. é, prioridade era a Burnin´ Boat. Em fevereiro de 1999 fiquei uma semana na praia e, na volta, fiquei sabendo que os caras tinham arranjado um substituto para mim (o fenomenal Daniel “Ace” Lairihoy), e a dupla Bruce & Pedro já haviam acertado a volta do Luciano para os vocais da Burnin´ Boat. Seguiram-se ensaios, finalizamos algumas músicas (como “Over the Moon” e, possivelmente, “Sweet Thing”) e em março já estávamos procurando um baixista. Chegamos a fazer um ensaio memorável com o famigerado “Petry do slap”, e dessa sessão frutificou a melodia do baixo no interlúdio de “Boats are Burning”. Tocamos também com Érico, o "Gene Simmons da Parasite", mas o cara não se interessou pelo nosso som (ele era fã de sons mais básicos), o que foi uma pena pois curtimos o jeito que ele tocava, somado ao fato de que ele sabia cantar decentemente. Eventualmente fizemos ensaios com vários amigos, como o Giulia & Joca, Diego & Jorge, Flávio e outros caras que participavam de salas do mirc ou zaz (teve um guitarrista, estilo Malmsteen, que ao final do primeiro ensaio me deu carona e sugeriu excluir o Bruce da banda, e formarmos uma nova... não por acaso, jamais tivemos notícia do cara).
O ensaio que tivemos com a dupla Jorge e Diego (que eram meus colegas de colégio, sendo que o segundo já a época era um dos guitarristas da Hibria) foi, assim como o com o Petry do Slap, particularmente produtivo. Tocamos algumas músicas nossas, e foi aí que o Diego deu uns toques muito legais (que acabamos incorporando definitivamente) com as guitarras harmonizadas nos versos de "Hidden" e na parada após o refrão de "Boats are Burning". Realmente isso serviu para abrir um pouco a cabeça em relação ao arranjo das linhas das guitarras - sabia que deveria evitar duas linhas iguais, mas não sabia, ainda, o que fazer para torná-las diferentes, e esse ensaio serviu para endender como poderíamos testar (e eventualmente adotar) certas idéias.
A formação clássica - 2000
Depois desse primeiro show no inverno de 1999, pouco mais do que muitos ensaios com jams e composições inesquecíveis só com guitarra e bateria frutificaram durante o resto de 1999. Afinal, lá por março de 2000, conseguimos via anúncios na rede dois sérios candidatos a baixista, simultaneamente; o Bruce agendou com um, eu com o outro. O primeiro baixista foi o que eu entrei em contato, e marcamos um ensaio. O cara era muito bom mesmo, e quis levar a fita do ensaio para casa para tirar as músicas imediatamente. Só que o lance do cara era montar uma banda para tocar e ganhar dinheiro, que era o tipo de idéia que não nos seduzia. Sabíamos que o nosso som não era do tipo comercial, e tínhamos consciência de nossas rasteiras habilidades musicais – tínhamos que amadurecer bastante ainda musicalmente. Além disso, a cada cover que tocávamos (tipo Maiden ou Sabbath) ele tentava acompanhar e dizia que havia aprendido há anos atrás, e que desde a adolescência ele não ouvia ou tocava nada da respectiva banda; ficou evidente que ele não era fã do som que adorávamos escutar e tocar. Assim, fizemos questão de deixar claro que não abriríamos mão de fazer a audição com o outro baixista, e assim o fizemos (afinal, levamos tanto tempo para encontrar alguém disposto a tocar conosco).
O Bruce, então, marcou o ensaio com o Nilton (não lembro se a Vanessa se fez presente já naquele primeiro dia). A empatia foi imediata, pois o cara gostava das mesmas bandas que nós, e ainda mostrava uma certa vocação para compor (que ele acabou não exercendo no futuro que se seguiu). Sem contar que era uma excelente figura, e tinha a mesma vontade de tocar músicas boas que nós. Não tivemos dificuldade para escolher o Nilton, e a mim coube encontrar o outro cara para tentar pegar as fitas do ensaio de volta. Além disso, nessa época e durante algum tempo o Nilton namorava a Vanessa, que se tornou presença certa em quase todos os ensaios e uma grande amiga de todos.
Já tínhamos, então, um vocalista e um baixista, mas ainda faltava o outro guitarrista. Jamais cogitamos que a banda teria apenas a minha guitarra, sobretudo pelo fato de não ter a desejável habilidade para solar. Não demorou muito e o Nilton chamou um colega dele (acho que do colégio ou Escola Técnica), o Nedimar. Ensaiamos com ele e assim completamos a formação da banda: Bruce, eu, Luciano, Nilton e Nedimar.
Bem vistas as coisas, o Nedimar não era um guitarrista de heavy metal. O negócio dele era Pink Floyd, e ele empunhava uma Stratocaster e solava bem como David Gilmour, mas apesar do nosso som ser pesado foi notável que ele fez o esforço de aprender algumas músicas e tal. Não por acaso, uma das que ele tirou com mais facilidade foi “Cold Wind”, a única "balada" ou "lenta", que tem um dedilhado com guitarra limpa. Essa experiência com o Nedimar foi importante, pessoalmente, pois pela primeira vez questionei o som que estava extraindo da combinação guitarra-pedaleira-amplificador. A minha distorção era demasiado aguda e abelhuda, e parecia atrapalhar o som das músicas. Nesse sentido, o som do equipamento do Nedimar era muito melhor, e foi aí que aprendi a ouvir o som da minha guitarra com uma certa crítica. Até hoje não sei dizer se foi precocemente, mas o Nedimar concluiu em pouco tempo que não seria uma boa para ele continuar tocando com a gente. O cara me contou pessoalmente a sua decisão, numa vez em que nos encontramos no lotação para a faculdade. Fiquei um pouco decepcionado (recém tínhamos conseguido estabelecer e estabilizar uma formação), e deixei claro que era uma pena.
Mal sabíamos nós que com o Nilton havíamos conseguido mais que um baixista; o cara conhecia guitarristas aptos a tocar conosco. Assim, em questão de poucas semanas, apareceu o Cláudio. Este sim gostava de um som similar ao nosso, pois era fã de Black Sabbath, Ozzy Osbourne e Iron Maiden. Não bastasse isso, o cara tinha uma técnica incrível na guitarra, e sabia tocar muito bem os solos de todas as músicas dessas bandas. Parecia que não havia solo que ele não conseguisse tirar, pelo menos para o efeito de tocar conosco. Enfim, foi um baita acréscimo e a formação clássica da Burnin´ Boat estava reunida.
O 2.º show
Ensaiamos, então, semanalmente (preferencialmente nas tardes de sábado), formamos um repertório de composições próprias e covers, e logo aconteceu de ser marcado um show com outras duas bandas. Não lembro ao certo como isso surgiu, mas o show se daria no famoso Teatro de Elis (antigo Porto de Elis), perto do Barranco, num fim de tarde de domingo chuvoso de Gre-nal decisivo do Campeonato Gaúcho daquela temporada. Fiquei satisfeito, pessoalmente, com o fato de que rolou cartaz nas ruas anunciando esse show, pois um dos meus sonhos era esse: ter o cartaz com o nome da minha banda num muro da cidade.
Das bandas que tocaram conosco eu lembro só da Daduke. Encontramo-nos todos na passagem de som, e como a Daduke seria a última banda a tocar (os caras tinham trazido a bateria), eles fizeram a passagem primeiro e foram embora para voltar só na hora do show deles. Nos seríamos a banda do meio. Depois saímos para fazer um lanche (eu fiquei por perto, enquanto que o Luciano, o Bruce e não lembro mais quem foram no McDonald´s).
O público não foi expressivo, conquanto houvesse algumas pessoas que não eram conhecidas de nenhum dos integrantes das bandas; eram caras que tinham recebido o flyer do show nos bares da Av. Oswaldo Aranha (conversamos com alguns deles que estavam aguardando na pequena fila para entrar). De conhecidos estavam Raquel, Carol, uma amiga delas e do Bruce, a Vanessa, o Guilherme Deathroner, acredito que o Felipinho e o Minduim, e a Sabrina.
A Pulse foi a primeira banda da noite, e o som dos caras era mais para grunge, mas não acompanhei nada do show, pois queria me concentrar para quando fosse a hora de subir ao palco.
Apresentei-me com uma camiseta que o Bruce achava legal, do filme “Heat”. Abrimos com “Highway Star” do Deep Purple, e o ponto alto (evidentemente) não era a minha versão do solo de R. Blackmore, e sim a interpretação do Cláudio do solo de teclado do Jon Lord. Algumas pessoas se animaram bastante e ficaram se empurrando na frente do palco (o tradicional pogo). Certamente não tínhamos muita noção de set list, pois emendamos uma outra música rápida, dessa vez o nosso clássico “Boats are Burning”.
Nílton e Cláudio eram fanáticos por Iron Maiden, e assim foi natural que incorporássemos alguns covers, embora antes dos caras entrarem na banda isso fosse impensável (o Bruce nunca foi fã, embora tivesse comprado uns discos). Embora o Luciano não gostasse particularmente da música, para mim foi um momento memorável tocar “Powerslave”, uma bela composição do Iron, com vários riffs e andamentos. Lembro-me perfeitamente que o Guilherme Deathroner (notório admirador do Iron e fã do Steve Harris) se postou bem à frente do palco, e ficou de cara para o Cáudio durante o solo.
Eu fiz questão de que tocássemos uma do Kiss, e sugeri “I Stole Your Love”. Mas acho que só eu curtia essa música, pois ninguém realmente tirou a cover, de modo que não fizemos uma boa versão e foi a última vez que a tocamos. A apresentação durou mais de uma hora, e queríamos tocar o maior número possível de músicas, mesmo sem tê-las ensaiado todas adequadamente. Lembro que fiquei meio desconcertado por não aquecer propriamente para o show, conquanto tenha ido no camarim com a Sabrina para descansar antes de subir ao palco (durante a apresentação da Pulse).
Constou do set-list nossas principais composições próprias da época: além de "Boats are Burning", rolou "Over the Moon", "Hidden", a instrumental "Attitude Adjustment" e "Sweet Thing". Quanto aos covers, realizamos o sonho de tocar "Burn" (quando iniciamos a banda e o Bruce tomou contato com o disco "Burn" do Deep Purple, achávamos que jamais conseguiríamos executar essa faixa de 6min, com solos de guitarra e teclado, e de bateria, se considerarmos as linhas de Ian Paice durante os versos). Além disso, desde o início queríamos incorporar uma clássica obscura, e chegamos à idéia de tocar "Say What You Will" do Fastway, que é conhecida por ter sido a música de abertura do seriado "Juba e Lula". Curtíamos um pouco de hard rock dos anos 80, e então rolou "Kiss of Death" do Dokken. Com as presenças de Nilton e Cláudio na banda, tocamos duas do Iron: além de "Powerslave", fomos de "2 Minutes to Midnight".
Voltando um pouco no tempo - 1998, Parasite, muitos ensaios
No final de 1999 estávamos a procura de um vocalista. Convidei o namorado duma colega de estágio, mas o cara estava se dedicando aos estudos, até chegou a ouvir uma fita, mas não se interessou em fazer um teste. Já tínhamos tido uma experiência de "quase" formação da banda anteriormente, então sabíamos das dificuldades, não tínhamos pressa, mas já estávamos ansiosos para tocar com a formação completa. Um ano antes (1998), o Pedro, quando ainda era nosso “tocador de baixo” (embora raramente aparecesse em algum ensaio), tinha contato com a Parasite, uma banda cover do Kiss que ele “empresariava” de certa maneira. Aparentemente o “Paul Stanley” da Parasite, chamado Felipe, também tinha umas composições, e o Pedro e o Bruce tiveram a idéia de chamar o cara para tocar conosco. Não demorou e fizemos um ensaio num sábado quente de dezembro de 1998 no nosso estúdio, e tocamos, basicamente, músicas do Kiss. Nunca tínhamos tocado tantas músicas legais, e embora nunca tivesse praticado os solos do Ace Frehley em casa, sabia boa parte deles só de ler as tablaturas nas revistas de guitarra e na internet. Apresentamos “Hidden” para o Felipe, e ele mostrou uns trechos de uma composição dele, que nem conseguimos tocar – simpesmente não acertávamos o tempo certo para entrar depois da introdução de guitarra (pedi para que ele gravasse numa fita para tentar tirar em casa, o que ele jamais fez, de modo que até hoje duvido que ele efetivamente tivesse as duas ou três músicas próprias que se dizia).
A formação, então, seria Bruce, Pedro, eu e Felipe. Fizemos mais um ou dois ensaios (janeiro de 1999), e aí já nos concentramos em tocar “Hidden”, à época um pouco diferente da versão eventualmente apresentada no Cecaf (a parte lenta seria não mais a base para o terceiro verso, e sim para um solo; o terceiro verso seria cantado sobre uma base mais rápida, o que acabou sendo rejeitado por todos, especialmente pelo Pedro que tinha muito pouca técnica para tocar nas partes mais fáceis – o que dizer numa parte rápida... imediatamente, então, sugeri tocar só uns acordes, e essa versão é a que acabou sendo registrada no nosso cd). Acontece que o fato de tocarmos várias músicas do Kiss no primeiro ensaio, aliado ao fato de que desempenhei com alguma decência os solos do Ace Frehley (pelo menos fiz uns bends enquanto o Felipe tocava as bases), acabou, em retorno, dando ensejo para um convite da Parasite para eu tocar com eles. O “Ace Frehley” dos caras estava enfrentando alguns problemas pessoais que não lembro ao certo, e o Felipe teve a idéia de me chamar. Recebi o convite no dia da festa de aniversário do Tiago e fiquei bastante feliz com a idéia, sobretudo pelos planos grandiosos que os caras tinham de, por exemplo, fazer shows no interior e tudo mais. Assim, no ano novo de 1999 fiz o primeiro ensaio com a Parasite e, depois de uma longa conversa, entrei para a banda.
Só que o fato do Felipe se dedicar (muito) mais à Parasite do que à Burnin´ Boat me perturbou um pouco, e tive a oportunidade de deixar claro para os caras que a minha idéia era a inversa, i. é, prioridade era a Burnin´ Boat. Em fevereiro de 1999 fiquei uma semana na praia e, na volta, fiquei sabendo que os caras tinham arranjado um substituto para mim (o fenomenal Daniel “Ace” Lairihoy), e a dupla Bruce & Pedro já haviam acertado a volta do Luciano para os vocais da Burnin´ Boat. Seguiram-se ensaios, finalizamos algumas músicas (como “Over the Moon” e, possivelmente, “Sweet Thing”) e em março já estávamos procurando um baixista. Chegamos a fazer um ensaio memorável com o famigerado “Petry do slap”, e dessa sessão frutificou a melodia do baixo no interlúdio de “Boats are Burning”. Tocamos também com Érico, o "Gene Simmons da Parasite", mas o cara não se interessou pelo nosso som (ele era fã de sons mais básicos), o que foi uma pena pois curtimos o jeito que ele tocava, somado ao fato de que ele sabia cantar decentemente. Eventualmente fizemos ensaios com vários amigos, como o Giulia & Joca, Diego & Jorge, Flávio e outros caras que participavam de salas do mirc ou zaz (teve um guitarrista, estilo Malmsteen, que ao final do primeiro ensaio me deu carona e sugeriu excluir o Bruce da banda, e formarmos uma nova... não por acaso, jamais tivemos notícia do cara).
O ensaio que tivemos com a dupla Jorge e Diego (que eram meus colegas de colégio, sendo que o segundo já a época era um dos guitarristas da Hibria) foi, assim como o com o Petry do Slap, particularmente produtivo. Tocamos algumas músicas nossas, e foi aí que o Diego deu uns toques muito legais (que acabamos incorporando definitivamente) com as guitarras harmonizadas nos versos de "Hidden" e na parada após o refrão de "Boats are Burning". Realmente isso serviu para abrir um pouco a cabeça em relação ao arranjo das linhas das guitarras - sabia que deveria evitar duas linhas iguais, mas não sabia, ainda, o que fazer para torná-las diferentes, e esse ensaio serviu para endender como poderíamos testar (e eventualmente adotar) certas idéias.A formação clássica - 2000
Depois desse primeiro show no inverno de 1999, pouco mais do que muitos ensaios com jams e composições inesquecíveis só com guitarra e bateria frutificaram durante o resto de 1999. Afinal, lá por março de 2000, conseguimos via anúncios na rede dois sérios candidatos a baixista, simultaneamente; o Bruce agendou com um, eu com o outro. O primeiro baixista foi o que eu entrei em contato, e marcamos um ensaio. O cara era muito bom mesmo, e quis levar a fita do ensaio para casa para tirar as músicas imediatamente. Só que o lance do cara era montar uma banda para tocar e ganhar dinheiro, que era o tipo de idéia que não nos seduzia. Sabíamos que o nosso som não era do tipo comercial, e tínhamos consciência de nossas rasteiras habilidades musicais – tínhamos que amadurecer bastante ainda musicalmente. Além disso, a cada cover que tocávamos (tipo Maiden ou Sabbath) ele tentava acompanhar e dizia que havia aprendido há anos atrás, e que desde a adolescência ele não ouvia ou tocava nada da respectiva banda; ficou evidente que ele não era fã do som que adorávamos escutar e tocar. Assim, fizemos questão de deixar claro que não abriríamos mão de fazer a audição com o outro baixista, e assim o fizemos (afinal, levamos tanto tempo para encontrar alguém disposto a tocar conosco).
O Bruce, então, marcou o ensaio com o Nilton (não lembro se a Vanessa se fez presente já naquele primeiro dia). A empatia foi imediata, pois o cara gostava das mesmas bandas que nós, e ainda mostrava uma certa vocação para compor (que ele acabou não exercendo no futuro que se seguiu). Sem contar que era uma excelente figura, e tinha a mesma vontade de tocar músicas boas que nós. Não tivemos dificuldade para escolher o Nilton, e a mim coube encontrar o outro cara para tentar pegar as fitas do ensaio de volta. Além disso, nessa época e durante algum tempo o Nilton namorava a Vanessa, que se tornou presença certa em quase todos os ensaios e uma grande amiga de todos.Já tínhamos, então, um vocalista e um baixista, mas ainda faltava o outro guitarrista. Jamais cogitamos que a banda teria apenas a minha guitarra, sobretudo pelo fato de não ter a desejável habilidade para solar. Não demorou muito e o Nilton chamou um colega dele (acho que do colégio ou Escola Técnica), o Nedimar. Ensaiamos com ele e assim completamos a formação da banda: Bruce, eu, Luciano, Nilton e Nedimar.
Bem vistas as coisas, o Nedimar não era um guitarrista de heavy metal. O negócio dele era Pink Floyd, e ele empunhava uma Stratocaster e solava bem como David Gilmour, mas apesar do nosso som ser pesado foi notável que ele fez o esforço de aprender algumas músicas e tal. Não por acaso, uma das que ele tirou com mais facilidade foi “Cold Wind”, a única "balada" ou "lenta", que tem um dedilhado com guitarra limpa. Essa experiência com o Nedimar foi importante, pessoalmente, pois pela primeira vez questionei o som que estava extraindo da combinação guitarra-pedaleira-amplificador. A minha distorção era demasiado aguda e abelhuda, e parecia atrapalhar o som das músicas. Nesse sentido, o som do equipamento do Nedimar era muito melhor, e foi aí que aprendi a ouvir o som da minha guitarra com uma certa crítica. Até hoje não sei dizer se foi precocemente, mas o Nedimar concluiu em pouco tempo que não seria uma boa para ele continuar tocando com a gente. O cara me contou pessoalmente a sua decisão, numa vez em que nos encontramos no lotação para a faculdade. Fiquei um pouco decepcionado (recém tínhamos conseguido estabelecer e estabilizar uma formação), e deixei claro que era uma pena.
Mal sabíamos nós que com o Nilton havíamos conseguido mais que um baixista; o cara conhecia guitarristas aptos a tocar conosco. Assim, em questão de poucas semanas, apareceu o Cláudio. Este sim gostava de um som similar ao nosso, pois era fã de Black Sabbath, Ozzy Osbourne e Iron Maiden. Não bastasse isso, o cara tinha uma técnica incrível na guitarra, e sabia tocar muito bem os solos de todas as músicas dessas bandas. Parecia que não havia solo que ele não conseguisse tirar, pelo menos para o efeito de tocar conosco. Enfim, foi um baita acréscimo e a formação clássica da Burnin´ Boat estava reunida.O 2.º show
Ensaiamos, então, semanalmente (preferencialmente nas tardes de sábado), formamos um repertório de composições próprias e covers, e logo aconteceu de ser marcado um show com outras duas bandas. Não lembro ao certo como isso surgiu, mas o show se daria no famoso Teatro de Elis (antigo Porto de Elis), perto do Barranco, num fim de tarde de domingo chuvoso de Gre-nal decisivo do Campeonato Gaúcho daquela temporada. Fiquei satisfeito, pessoalmente, com o fato de que rolou cartaz nas ruas anunciando esse show, pois um dos meus sonhos era esse: ter o cartaz com o nome da minha banda num muro da cidade.
Das bandas que tocaram conosco eu lembro só da Daduke. Encontramo-nos todos na passagem de som, e como a Daduke seria a última banda a tocar (os caras tinham trazido a bateria), eles fizeram a passagem primeiro e foram embora para voltar só na hora do show deles. Nos seríamos a banda do meio. Depois saímos para fazer um lanche (eu fiquei por perto, enquanto que o Luciano, o Bruce e não lembro mais quem foram no McDonald´s).
O público não foi expressivo, conquanto houvesse algumas pessoas que não eram conhecidas de nenhum dos integrantes das bandas; eram caras que tinham recebido o flyer do show nos bares da Av. Oswaldo Aranha (conversamos com alguns deles que estavam aguardando na pequena fila para entrar). De conhecidos estavam Raquel, Carol, uma amiga delas e do Bruce, a Vanessa, o Guilherme Deathroner, acredito que o Felipinho e o Minduim, e a Sabrina.
A Pulse foi a primeira banda da noite, e o som dos caras era mais para grunge, mas não acompanhei nada do show, pois queria me concentrar para quando fosse a hora de subir ao palco.
Apresentei-me com uma camiseta que o Bruce achava legal, do filme “Heat”. Abrimos com “Highway Star” do Deep Purple, e o ponto alto (evidentemente) não era a minha versão do solo de R. Blackmore, e sim a interpretação do Cláudio do solo de teclado do Jon Lord. Algumas pessoas se animaram bastante e ficaram se empurrando na frente do palco (o tradicional pogo). Certamente não tínhamos muita noção de set list, pois emendamos uma outra música rápida, dessa vez o nosso clássico “Boats are Burning”.Nílton e Cláudio eram fanáticos por Iron Maiden, e assim foi natural que incorporássemos alguns covers, embora antes dos caras entrarem na banda isso fosse impensável (o Bruce nunca foi fã, embora tivesse comprado uns discos). Embora o Luciano não gostasse particularmente da música, para mim foi um momento memorável tocar “Powerslave”, uma bela composição do Iron, com vários riffs e andamentos. Lembro-me perfeitamente que o Guilherme Deathroner (notório admirador do Iron e fã do Steve Harris) se postou bem à frente do palco, e ficou de cara para o Cáudio durante o solo.
Eu fiz questão de que tocássemos uma do Kiss, e sugeri “I Stole Your Love”. Mas acho que só eu curtia essa música, pois ninguém realmente tirou a cover, de modo que não fizemos uma boa versão e foi a última vez que a tocamos. A apresentação durou mais de uma hora, e queríamos tocar o maior número possível de músicas, mesmo sem tê-las ensaiado todas adequadamente. Lembro que fiquei meio desconcertado por não aquecer propriamente para o show, conquanto tenha ido no camarim com a Sabrina para descansar antes de subir ao palco (durante a apresentação da Pulse).
Constou do set-list nossas principais composições próprias da época: além de "Boats are Burning", rolou "Over the Moon", "Hidden", a instrumental "Attitude Adjustment" e "Sweet Thing". Quanto aos covers, realizamos o sonho de tocar "Burn" (quando iniciamos a banda e o Bruce tomou contato com o disco "Burn" do Deep Purple, achávamos que jamais conseguiríamos executar essa faixa de 6min, com solos de guitarra e teclado, e de bateria, se considerarmos as linhas de Ian Paice durante os versos). Além disso, desde o início queríamos incorporar uma clássica obscura, e chegamos à idéia de tocar "Say What You Will" do Fastway, que é conhecida por ter sido a música de abertura do seriado "Juba e Lula". Curtíamos um pouco de hard rock dos anos 80, e então rolou "Kiss of Death" do Dokken. Com as presenças de Nilton e Cláudio na banda, tocamos duas do Iron: além de "Powerslave", fomos de "2 Minutes to Midnight".
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